Levante Popular protesta em frente ao prédio de ex-chefe do DOI-Codi
O general reformado do Exército José Antônio Nogueira Belham é um dos acusados pela morte de Rubens Paiva, que foi torturado dentro do local

Na manhã desta segunda (24), ativista do Levante Popular da Juventude um protesto em frente ao edifício onde mora o general reformado do Exército José Antônio Nogueira Belham, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Ele é um dos acusados pela morte do engenheiro e ex-deputado federal Rubens Paiva, desparecido em 1971 após ser levado de sua casa e declarado morto pela ditadura somente 25 anos depois.
O militar comandou o DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações/Centro de Operações de Defesa Interna do Exército), um dos principais órgãos de repressão da ditadura militar, de 1970 a 1971, período em que Rubens Paiva foi morto dentro da unidade.
+ Como guerra pelo comando do Jogo do Bicho fez ascender nova cúpula
No asfalto, em frente ao prédio, os participantes do protesto pintaram a frase Ainda Estamos Aqui, em referência ao filme que narra a história da família Paiva, e levantaram cartazes com fotos de Rubens Paiva e de outros mortos e desaparecidos pelo regime militar.
Entre eles, nomes ligados a movimentos estudantis, como a líder da União Nacional dos Estudantes (UNE) Helenira Resende; o então presidente da Federação dos Estudantes da Universidade de Brasília, Honestino Guimarães, e o estudante secundarista Edson Luís.
A organização declarou que o “escracho” contra Belham pretende aproveitar a visibilidade do filme para pedir a revisão da Lei da Anistia, excluindo crimes como ocultação de cadáver e desaparecimento forçado do seu escopo.
+ Banho de mar à noite: 13 pessoas morreram em 2025; saiba os perigos
Os ativistas pedem também que os militares que atuaram como torturadores durante a ditadura sejam expulsos das Forças Armadas e percam os benefícios da carreira militar.
“Não esqueceremos, não descansaremos, até que haja justiça para Rubens Paiva e para todos e todas que morreram lutando por democracia, aqueles que foram de aço nos tempos de chumbo”, diz um comunicado publicado pelo Levante Popular da Juventude em suas redes sociais.
+ Transplantes com HIV: começa o julgamento dos seis réus do caso
“Somente com justiça poderemos construir uma sociedade efetivamente democrática e superar, sem esquecimento e sem perdão, um dos períodos mais sombrios da nossa história”, continua o texto.
Acusação
Em 2014, a Comissão da Verdade concluiu que o general Belham foi um dos responsáveis pela morte de Rubens Paiva, a partir de provas documentais e de depoimentos de ex-agentes da repressão.
+ “Comando Vermelho recrutou gente nos EUA”, afirma secretário de segurança
Em depoimento à comissão, Belham disse que não tinha conhecimento de torturas cometidas contra Paiva e que estava de férias durante a data provável de sua morte. A comissão retrucou seu depoimento, desmentido pelas provas colhidas.
Após o depoimento, Belham foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF), junto com outros quatro militares, pela morte do ex-deputado. O processo foi arquivado com base na Lei da Anistia, mas será reanalisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Apenas dois dos acusados ainda estão vivos: o general Belham e o major reformado Jacy Ochsendorf e Souza.
+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui