Grafite da discórdia: prefeitura remove pintura da mureta do Leme
Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), órgão municipal, determinou a retirada do grafite, já que a região é tombada

Foi apenas um flash: o cinza escuro da mureta da pedra do Leme, conhecida como Caminho dos Pescadores, havia sido substituído, na última terça, por um colorido painel com os dizeres “Mureta do Leme”, como adiantou a colunista Lu Lacerda.
A intervenção, autorizada pela prefeitura, durou bem pouco, já que o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), órgão municipal, determinou a retirada do grafite, já que a região é tombada. Na manhã desta quinta (27), o painel já estava sendo apagado.
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A pasta admitiu que a ação, em parceria com a Comlurb, pretendia revitalizar a Mureta do Leme, evitando as constantes pichações no local e ainda estimulando a arte, “com a expressão e a liberdade de artistas locais como forma de transformar espaços degradados em pontos de referência cultural”.
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“Odeio errar. Represento muita gente e tenho que errar quase nunca. Mas quando erro, tenho que admitir. Aqui vai ser sempre assim. Cara a tapa na hora do problema, da solução e também do erro. Sem omissão e também sem apego ao erro. Seguimos em frente”, escreveu o secretário municipal de Conservação, Diego Vaz, em uma postagem no Instagram.
A associação de moradores do bairro, Viva Leme, classificou o grafite como uma “intervenção desastrosa”. “Ela mostra um nonsense completo. A prefeitura não consultou os moradores. Mostramos o nosso desagrado para que a pintura fosse retirada”, afirmou Grécia Vanicore, representante do grupo, ao jornal O Globo.
Um decreto de 30 de dezembro de 2014 assinado pelo prefeito Eduardo Paes determinou o tombamento definitivo do Forte Duque de Caxias, no Morro do Leme, além de seu entorno. Ao delimitar a área protegida, a medida cita “o final do calçadão da Praia do Leme com a Pedra ou Morro do Leme, seguindo na direção do caminho dos pescadores, incluso, contornando totalmente a Pedra do Leme pela linha média das marés”.