Pesquisa: consumo de álcool dá prejuízo de 18 bilhões ao país
Segundo OMS, mais de 100 mil pessoas morrem ao ano no Brasil em decorrência do álcool

O consumo de bebidas alcoólicas representa um custo para o Brasil superior a R$ 18 bilhões ao ano. É o que aponta um estudo realizado pela Fiocruz de Brasília, divulgado recentemente.Deste total, mais de R$ 1 bilhão são de despesas diretas com hospitalizações e procedimentos ambulatoriais no Sistema Único de Saúde (SUS).
Os custos indiretos incluem as perdas de produtividade por morte prematura, prejuízo à força de trabalho das empresas e fábricas, faltas ao trabalho por internação hospitalar e licenças, resultando em absenteísmo e acidentes laborais.
Ainda dentro das estimativas indiretas está o custo previdenciário – pessoas incapacitadas de seguirem trabalhando em decorrência de sequelas por consumo de álcool –, que atingiu mais de R$ 47 milhões ao ano. Desse valor, R$ 37 milhões são relativos a gastos com pessoas do gênero masculino. Os homens representaram 86% das mortes em consequência do uso abusivo de álcool (a maioria dos óbitos foram por doenças cardiovasculares, acidentes e violências).
Entre as mulheres, que respondem por 14% dos registros fatais, as mortes ocorreram não apenas por doenças cardiovasculares, mas também vários tipos de cânceres em mais de 60% dos casos. A diferença percentual dos homens se justifica porque além do consumo de álcool pelo gênero feminino ser menor, elas procuram os serviços de saúde com maior frequência e fazem mais exames de rotina. Isso faz com que sejam tratadas antes que as complicações de saúde se tornem graves.
O levantamento da Fiocruz usou como base estimativas de mortes atribuíveis ao álcool feitas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e levou em consideração para o cálculo de custo um total de 104,8 mil mortes anuais no Brasil, o que significa uma média de 12 óbitos por hora.
Para além das doenças físicas e transtornos mentais, a ingestão de bebidas alcoólicas está associada a um aumento no comportamento criminoso, incluindo violência doméstica e acidentes de trânsito.
Por todas essas razões, é bastante óbvia a necessidade de adoção de medidas efetivas que reduzam o consumo de álcool no Brasil, como o aumento da taxação de imposto sobre bebidas, atribuindo a esses produtos alíquotas que dificultem a sua aquisição, além de campanhas de esclarecimento dos malefícios do álcool (a exemplo do que já é feito com o cigarro).
Analice Gigliotti é Mestre em Psiquiatria pela Unifesp; professora da PUC-Rio; chefe do setor de Dependências Químicas e Comportamentais da Santa Casa do Rio de Janeiro e diretora do Espaço Clif de Psiquiatria e Dependência Química.