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Analice Gigliotti

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Comportamento

Pesquisa: consumo de álcool dá prejuízo de 18 bilhões ao país

Segundo OMS, mais de 100 mil pessoas morrem ao ano no Brasil em decorrência do álcool

Por Analice Gigliotti
19 fev 2025, 12h24
Dois homens seguram garras long neck de cerveja.
Prejuízos trazidos pelo consumo de bebida alcoólica se refletem na saúde, na família e no trabalho. (Freepik/Reprodução)
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O consumo de bebidas alcoólicas representa um custo para o Brasil superior a R$ 18 bilhões ao ano. É o que aponta um estudo realizado pela Fiocruz de Brasília, divulgado recentemente.Deste total, mais de R$ 1 bilhão são de despesas diretas com hospitalizações e procedimentos ambulatoriais no Sistema Único de Saúde (SUS).

Os custos indiretos incluem as perdas de produtividade por morte prematura, prejuízo à força de trabalho das empresas e fábricas, faltas ao trabalho por internação hospitalar e licenças, resultando em absenteísmo e acidentes laborais.

Ainda dentro das estimativas indiretas está o custo previdenciário – pessoas incapacitadas de seguirem trabalhando em decorrência de sequelas por consumo de álcool –, que atingiu mais de R$ 47 milhões ao ano. Desse valor, R$ 37 milhões são relativos a gastos com pessoas do gênero masculino. Os homens representaram 86% das mortes em consequência do uso abusivo de álcool (a maioria dos óbitos foram por doenças cardiovasculares, acidentes e violências).

Entre as mulheres, que respondem por 14% dos registros fatais, as mortes ocorreram não apenas por doenças cardiovasculares, mas também vários tipos de cânceres em mais de 60% dos casos. A diferença percentual dos homens se justifica porque além do consumo de álcool pelo gênero feminino ser menor, elas procuram os serviços de saúde com maior frequência e fazem mais exames de rotina. Isso faz com que sejam tratadas antes que as complicações de saúde se tornem graves.

O levantamento da Fiocruz usou como base estimativas de mortes atribuíveis ao álcool feitas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e levou em consideração para o cálculo de custo um total de 104,8 mil mortes anuais no Brasil, o que significa uma média de 12 óbitos por hora.

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Para além das doenças físicas e transtornos mentais, a ingestão de bebidas alcoólicas está associada a um aumento no comportamento criminoso, incluindo violência doméstica e acidentes de trânsito.

Por todas essas razões, é bastante óbvia a necessidade de adoção de medidas efetivas que reduzam o consumo de álcool no Brasil, como o aumento da taxação de imposto sobre bebidas, atribuindo a esses produtos alíquotas que dificultem a sua aquisição, além de campanhas de esclarecimento dos malefícios do álcool (a exemplo do que já é feito com o cigarro).

Analice Gigliotti é Mestre em Psiquiatria pela Unifesp; professora da PUC-Rio; chefe do setor de Dependências Químicas e Comportamentais da Santa Casa do Rio de Janeiro e diretora do Espaço Clif de Psiquiatria e Dependência Química.

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