5 tendências do mercado de conteúdo digital para 2025
De canais especializados em cortes de vídeos a conteúdo Lo-Fi, saiba quais as transformações previstas para o segmento de conteúdo digital neste ano

Esse nosso tema de coluna já virou tradição ano a ano. Eu espero saírem todos os principais reports de festivais de inovação, estudos que mais confio e pesquisas para junta-los às minhas observações e listar só o que acho que realmente é novidade de um ano para o outro. Não insulto a inteligência dos meus leitores com previsões óbvias ou repetitivas (quem reforçar a importância das “comunidades” merece vaias) e quero ao máximo trazer os movimentos que tenho observado, muito mais do que as tendências totalmente estabelecidas.
Aliás, vale o registro, achei que esse ano pouco falou-se de Conteúdo Digital entre os principais estudiosos do universo digital no mundo. A maior parte dos itens abaixo veio das minhas próprias observações como diretora de agência na área que convive com o tema diariamente. Por outro lado, se a gente não se cuidar, só vai falar de Inteligência Artificial Generativa e seus modos de uso no segmento, outro hiperfoco que tentei evitar. Sem mais delongas, vamos aos tópicos:
1 – Canais e perfis de cortes de vídeos
Uma das tendências mais ambíguas para esse ano são os perfis e canais que não criam conteúdo próprio e têm a base do material de trabalho as micro edições em cima de vídeos de terceiros. E por que digo que são ambíguas? Porque se por um lado a prática é um insulto à criação de conteúdo, já que nada está sendo criado – mas sim copiado e fatiado – por outro, há técnica, expertise e clara estratégia nessa prática que pode ser a responsável por difundir a presença digital de pessoas eloquentes (mas não necessariamente interessantes, diga-se de passagem). O tipo de perfil é criado principalmente por quem quer ganhar dinheiro com as redes sociais sem precisar aparecer. Com um alto potencial viral, o material postado em perfis de cortes no Instagram, TikTok e Youtube, em sua maioria, costuma ser polêmico e ter a duração exata de um compartilhamento, algo minuciosamente estudado. Esse, inclusive, foi um dos modelos de negócio da estratégia de crescimento digital do coach Pablo Marçal. O segmento é tão fértil que há, inclusive, campeonatos de cortadores de vídeos como esse que o empresário Hyeser, um dos nomes mais fortes do segmento de conteúdo orgânico digital, criou. É um curso dedicado a ensinar essa fábrica de cortes.
2 – Marcas premiando creators
Um movimento interessante se deu no fim do ano passado e a pioneira foi a marca athleisure Insider que lançou o prêmio Insider Creators Awards para reconhecer os seus melhores criadores de conteúdo pagos em diferentes categorias. O feito foi um golaço de quem entende e estimula a Creator Economy na sua essência formando uma verdadeira comunidade de influenciadores digitais comprometidos em darem o melhor para um cliente que não só os deixa livre para criar, como “gamifica” o processo. A cerimônia se deu no mesmo nível de premiações de grandes plataformas que fazem a lista de indicados, uma noite glamurosa, festa, discurso e aquele reconhecimento todo do tipo eu-não-preparei-discurso-e-tal. Esse tipo de ação é a evolução do Marketing de Influência e a Insider é um belo exemplo de marca que entendeu que revolução na comunicação se faz junto.
3 – Redesenho da jornada do consumidor
A teoria do funil de vendas dentro do Marketing precisou ser atualizada literalmente centenas de vezes desde que foi criada em 1924 e outras centenas de vezes desde a aparição do Marketing Digital fazendo jus a complexidade e volatilidade dessa área que evoluiu com a bolha da internet nos anos 2000. A forma de consumir que antes se dividia prioritariamente em três etapas do funil, hoje reúne pelo menos uma dezena delas de maneira não-linear. Mas o que eu acredito mesmo que valha o tópico é olhar para esse redesenho de jornada entendendo que a média de consulta de canais digitais antes da efetivação de uma compra aumentou consideravelmente. E o pulo do gato é entender que o consumidor conectado, não está recebendo informações daquele produto de interesse apenas quando está usando telas. Tempo de conexão hoje é algo, além telas. Consultas a Alexa são tempo de tecnologia conectada. Perguntas ao ChatGPT por voz são tempo de tecnologia conectada. E tudo isso infla esse funil de conteúdo deixando o processo de conversão (fim do funil) muito mais complexo de ser alcançado.
4 – Conteúdo Lo-fi
O termo “Lo-fi” designado a áudio não se refere, originalmente, a um gênero musical, mas sim à qualidade do som. A expressão significa “low fidelity”, que quer dizer “baixa fidelidade/qualidade” em tradução livre, pois são, em sua maioria, gravações caseiras sem a qualidade sonora de produções realizadas em estúdios. O ponto é que esse tipo de som é uma febre há alguns anos por pessoas que gostam de encontrar “conforto” em playlists para estudar, trabalhar ou desenvolver qualquer atividade que precise de atenção. Foi daí que surgiu o termo “Conteúdo Lo-fi” para definir influenciadores que fazem conteúdos confortáveis de assistir, que não aguçam tanto a nossa ansiedade ou nos causam efeitos de comparação. A expressão se alastrou por nichos de diversos tipos. Um criador de conteúdo brasileiro interessante e que atende bem a esse quesito é o Rodrigo Pantera, que fala sobre a sua rotina de treino e alimentação, mas de uma forma extremamente calma e carismática. Ele reúne mais de dois milhões de seguidores gravando vídeos tranquilos diretamente da sua casa.
5 – I.A. X Economia da Intenção
Muito se falou ao longo dos últimos anos sobre a Economia da Atenção e toda sua quebra de lógica do status quo ao definir a atenção humana como comodities dentro do ambiente digital. Pois com a chegada e a efervescência da Inteligência Artificial, principalmente dentro do nicho das I.A.’s generativas aplicadas a criação de conteúdo e uso das redes sociais, evoluímos esse termo para a Economia da Intenção, onde presume-se a intenção dos usuários por conta da sua relação com as perguntas feitas e do algoritmo criado a partir das suas interações. Essa mudança sutil de palavra propõe um novo olhar para todo o caminho traçado para o uso da internet e impacta a lógica de consumo de informações de maneira brutal. Serão mudanças desde o formato da indexação do conteúdo (hashtags ainda farão sentido em um futuro breve?) e de como informações podem ser encontradas até mesmo no que qualifica uma pesquisa eficaz hoje em dia. E nós já sabemos que isso não quer mais dizer usar o Google.
Carla Knoplech é diretora da agência Forrest, de conteúdo e influência digital, consultora do Instituto Gênesis PUC-Rio e escreve na coluna desde 2020.