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Esquinas do Esporte

Por Alexandre Carauta, jornalista e professor da PUC-Rio Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Pelos caminhos entre esporte, bem-estar e cidadania

A Canarinho desbotada e o vira-lata rodriguiano

Regeneração do futebol brasileiro envolve um olhar menos alinhado ao eurocentrismo do que à nossa tradição de formar maestros

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Atualizado em 26 mar 2025, 09h53 - Publicado em 26 mar 2025, 09h16
Meia Gerson com uniforma da seleção
O meia Gerson, do Flamengo, é uma exceção na Canarinho dominada por atletas de fora (@rafaelribeirorio - CBF/Reprodução)
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A desigualdade econômica recicla o complexo de vira-lata. Refletida no mundo das chuteiras, intensifica o êxodo de talentos brasileiros para escretes da Europa transformados em seleções.

O abismo se pronuncia nos tira-teimas entre campeões continentais: clubes europeus superaram sul-americanos em sete dos dez últimos confrontos decisivos pelo Mundial da Fifa. Não vencemos desde o 1 a 0 do Corinthians sobre o Chelsea em 2012.

A supremacia ecoa a abertura a estrangeiros expandida na União Europeia pela Lei Bosman, de 1995, e o poderio financeiro que a converteu nas melhores competições e equipes do planeta. Jamais riqueza e sucesso esportivo andaram tão unidos.

Reguladores do setor pouco se importam com a origem ou o propósito subjacente de fortunas investidas nos gramados. A pragmática complacência acentua o oceano entre os primos pobres e os primos ricos.

O eurocentrismo naturaliza um menosprezo a atletas do Brasil e no Brasil, como se nada valessem sem o carimbo externo. Não obstante o declínio técnico espelhado no estio de maestros, ainda avistamos bambas por aqui.

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A depreciação doméstica perpetua uma seleção gringa. A preferência automática pela patota radicada no outro lado do Atlântico esnoba virtuoses como o meia Alan Patrick, do Inter.

Acalentamos um desdém compulsório ao nosso quintal. Dele partiu o comentário do ex-jogador sobre o atacante bom de bola Jhon Arias, numa mesa-redonda da tevê:

“Está chovendo, ele joga muito. Está sol, ele joga muito. Ele joga qualquer jogo. A minha única lamentação é que esse moleque não vai jogar num grande time da Europa…”.

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“Pra nossa sorte”, retruca o apresentador.

“Ele joga no Fluminense”, emenda o outro ex-jogador na bancada. Corrige a emblemática gafe do colega.

A Canarinho desbotada alerta: devemos olhar menos o passaporte e mais o nosso DNA. Precisamos restituir, com certa urgência, a tradição de laterais insinuantes e armadores, progressivamente negligenciados nas categorias infanto-juvenis, nos elencos profissionais, na seleção distanciada do imaginário e da História.

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A regeneração exige um ajuste de foco: em vez de fixá-lo tanto em escudos internacionais, igual o vira-lata rodriguiano, convém redirecioná-lo àquilo que fez do Brasil o Brasil. Pode estar mais perto do que se imagina.

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Menos garganta, mais bola

Boleiros da velha e da nova guarda não deveriam descuidar-se da sabedoria popular. Quando alguém reclama muito ou canta de galo na pelada da rua, leva logo um tranco de realidade: “Amigo, fala menos e joga mais”. Recomendação oportuna ao andar de cima.

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Alexandre Carauta é jornalista e professor da PUC-Rio, integrante do corpo docente da pós em Direito Desportivo da PUC-Rio. Doutor em Comunicação, mestre em Gestão Empresarial, pós-graduado em Administração Esportiva, formado também em Educação Física. Organizador do livro “Comunicação estratégica no esporte”.

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