Uma inspiradora lua de mel entre o esporte e a maternidade
Bebê a bordo: "Eu e João nos divertimos", orgulha-se a octacampeã de triatlo Luíza Cravo, que corre com o filho de 3 anos num carrinho

Dizem que corrida é o mais coletivo dos esportes individuais. Luíza Cravo redimensiona a máxima. Há dois anos a octacampeã estadual de triatlo carrega – literalmente – o filho João em treinos e provas.
“Alguns estranham ao me verem correndo com o bebê num carrinho. Mas a maioria acha bacana, me incentiva”, orgulha-se a mãe de primeira viagem. Seu maior pódio, claro, é conciliar a vida de atleta com a maratona da maternidade.
Embaixadora da Asics, Luíza revela o segredo desta mágica inspiradora para tantas mulheres confrontadas com o mesmo desafio. Muitas abandonam o esporte, constata o estudo global da Asics Move her mind. Ela também reforça os benefícios da atividade física e conta como suas passadas velozes a conectam com as belezas do Rio.
Como você começou a correr?
Sou de Niterói, berço do triatlo. Isso influenciou minha trajetória esportiva. Comecei a me exercitar regularmente aos 13 anos, para melhorar a autoestima. Queria emagrecer. Fazia ginástica em casa, esteira, [bicicleta] ergométrica. Passei a correr perto da praia, pegando carona no aquecimento do futebol da minha irmã Carolina, seis anos mais velha. Aliás, ela continua jogando bola. É uma grande parceira. Eu segui correndo. Parti pro triatlo.
E o triatlo mudou a sua vida, não é?
Mudou bastante. Ao ingressar no triatlo, comecei a namorar o Pedro, que me incentivou a voos mais altos. Estamos casados há seis anos. Acabei me casando também com o esporte. Virei atleta profissional. Ganhei o Estadual de triatlo oito vezes seguidas.
Você ainda incluiu o curso de Direito na rotina intensa…
Sim, era exaustivo. A paixão pelo triatlo e as conquistas me ajudavam a conciliar as agendas esportiva e universitária.
Apesar dessa paixão, você trocou o triatlo pela corrida. Por quê?
Quando o João nasceu, percebi que seria incompatíveis os afazeres da maternidade e a rotina puxada do triatlo. Mas acreditei que daria para conciliar com a corrida. Era importante me manter ativa. A corrida foi uma escolha assertiva. Acho que estou me saindo bem.
De que forma isso funciona na prática?
Faço treinos mais curtos e mais leves. Preciso de uma horinha por dia para cansar o corpo e descansar a mente. Só não treino mais com o meu marido porque alguém precisa cuidar da criança, né?
Em compensação, você corre com o filho…
Pois é, muito legal. Dei meu jeito para continuar competindo. Precisava levá-lo em algumas provas. Passei a correr com um carrinho de bebê específico, aerodinâmico, quase uma Ferrari. Eu e João nos adaptamos perfeitamente. Agora é ainda melhor, porque ele interage mais.
Vocês viraram uma atração à parte. Quais as reações dos corredores e do público quando vocês passam?
Hoje a maioria acha bacana. No início, alguns estranhavam, até reprovavam, como houvesse algo errado. Ora, antes de ser corredora, eu sou mãe. O João sempre curtiu correr comigo. Antes, ele dormia direto. Se estivesse desconfortável, não dormiria. Depois, como eu disse, ele passou a interagir. Uma vez, quando eu estava subindo uma ladeira, falou: “Força, mamãe”. Fiquei emocionada. Estou me divertindo com a criança, seguindo o meu coração.
Você também inspira mulheres com desafios semelhantes…
Minha história representa um estímulo para que as mães se mantenham no esporte. A prática esportiva é uma grande aliada da saúde física e mental, como foi comprovado no estudo da Asics. Esta pesquisa reforça a necessidade de aperfeiçoarmos e democratizarmos soluções para conciliar maternidade e esporte, de garantirmos a estrutura para mães não deixarem de se exercitar, sobretudo as mais pobres e vulneráveis. É uma responsabilidade conjunta: das autoridades públicas, das organizações, da sociedade.
Esses princípios a transformaram em embaixadora de marca?
Exatamente. Sou embaixadora da Asics desde o ano passado, uma honra. Formamos um grupo seleto que compartilha e propaga valores alinhados à conscientização social sobre a importância da atividade física e a compromissos como derrubar barreiras que impedem as mães de praticarem esporte. Precisamos disseminar a cultura esportiva como mecanismo para a construção de caráter, saúde, educação, cidadania. Precisamos amadurecê-la também como instrumento de mobilização contra preconceitos dirigidos às mulheres. As redes sociais são importantes nisso. Muitas mulheres mostram, nas redes, do que são capazes. Recebo várias mensagens de apoio.
Quais são suas inspirações neste sentido?
A Sara Hall, cujo marido também é atleta. Ela tem quatro filhos já adultos e agrega o esporte à família. Outra inspiração é a Luiza Paz, integrante da minha equipe: nunca deixou de correr, mesmo amamentando e se dedicando à maternidade.

Em meio às facetas de mãe e atleta, que ambições você cultiva?
Pretendo correr uma maratona em 2h45. Também quero outro filho.
O amor pelo Rio embala seus sonhos?
Muito. O esporte enriquece a minha relação com o Rio. Os treinos e as competições me fazem curtir paraísos como a Vista Chinesa, a Floresta da Tijuca e, claro, Itacoatiara, a melhor praia do mundo.
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Astros no soçaite
Gol & Gratidão reforça a temporada de jogos festivos. Sob a batuta do cantor L7nnon e do influenciador Negrete, bambas do esporte e do entretenimento ganham o Parque Olímpico nesta quarta (18), às 21h.
Astros como Romário, Marcelo, David Luiz, Gerson, MC Maneirinho, Papatinho, Ítalo Ferreira e Brabo Gordinho exibem suas habilidades no futebol soçaite e em desafios de técnica, pontaria, equilíbrio. O show de L7nnon arremata a programação. Produzida pela agência ALOB Sports, a iniciativa tem transmissão do Sportv.

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Alexandre Carauta é jornalista e professor da PUC-Rio, integrante do corpo docente da pós em Direito Desportivo da PUC-Rio. Doutor em Comunicação, mestre em Gestão Empresarial, pós-graduado em Administração Esportiva, formado também em Educação Física. Organizador do livro “Comunicação estratégica no esporte”.