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Esquinas do Esporte

Por Alexandre Carauta, jornalista e professor da PUC-Rio Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Pelos caminhos entre esporte, bem-estar e cidadania

Uma inspiradora lua de mel entre o esporte e a maternidade

Bebê a bordo: "Eu e João nos divertimos", orgulha-se a octacampeã de triatlo Luíza Cravo, que corre com o filho de 3 anos num carrinho

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Atualizado em 16 dez 2024, 16h06 - Publicado em 16 dez 2024, 07h22
Luíza Cravo correndo com o ilho num carrinho de bebê
 (Acervo pessoal/Reprodução)
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Dizem que corrida é o mais coletivo dos esportes individuais. Luíza Cravo redimensiona a máxima. Há dois anos a octacampeã estadual de triatlo carrega – literalmente – o filho João em treinos e provas.

“Alguns estranham ao me verem correndo com o bebê num carrinho. Mas a maioria acha bacana, me incentiva”, orgulha-se a mãe de primeira viagem. Seu maior pódio, claro, é conciliar a vida de atleta com a maratona da maternidade.

Embaixadora da Asics, Luíza revela o segredo desta mágica inspiradora para tantas mulheres confrontadas com o mesmo desafio. Muitas abandonam o esporte, constata o estudo global da Asics Move her mind. Ela também reforça os benefícios da atividade física e conta como suas passadas velozes a conectam com as belezas do Rio.

Como você começou a correr?

Sou de Niterói, berço do triatlo. Isso influenciou minha trajetória esportiva. Comecei a me exercitar regularmente aos 13 anos, para melhorar a autoestima. Queria emagrecer. Fazia ginástica em casa, esteira, [bicicleta] ergométrica. Passei a correr perto da praia, pegando carona no aquecimento do futebol da minha irmã Carolina, seis anos mais velha. Aliás, ela continua jogando bola. É uma grande parceira. Eu segui correndo. Parti pro triatlo.

E o triatlo mudou a sua vida, não é?

Mudou bastante. Ao ingressar no triatlo, comecei a namorar o Pedro, que me incentivou a voos mais altos. Estamos casados há seis anos. Acabei me casando também com o esporte. Virei atleta profissional. Ganhei o Estadual de triatlo oito vezes seguidas.

Você ainda incluiu o curso de Direito na rotina intensa…

Sim, era exaustivo. A paixão pelo triatlo e as conquistas me ajudavam a conciliar as agendas esportiva e universitária.

Apesar dessa paixão, você trocou o triatlo pela corrida. Por quê?

Quando o João nasceu, percebi que seria incompatíveis os afazeres da maternidade e a rotina puxada do triatlo. Mas acreditei que daria para conciliar com a corrida. Era importante me manter ativa. A corrida foi uma escolha assertiva. Acho que estou me saindo bem.

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De que forma isso funciona na prática?

Faço treinos mais curtos e mais leves. Preciso de uma horinha por dia para cansar o corpo e descansar a mente. Só não treino mais com o meu marido porque alguém precisa cuidar da criança, né?

Em compensação, você corre com o filho…

Pois é, muito legal. Dei meu jeito para continuar competindo. Precisava levá-lo em algumas provas. Passei a correr com um carrinho de bebê específico, aerodinâmico, quase uma Ferrari. Eu e João nos adaptamos perfeitamente. Agora é ainda melhor, porque ele interage mais.

Vocês viraram uma atração à parte. Quais as reações dos corredores e do público quando vocês passam?

Hoje a maioria acha bacana. No início, alguns estranhavam, até reprovavam, como houvesse algo errado. Ora, antes de ser corredora, eu sou mãe. O João sempre curtiu correr comigo. Antes, ele dormia direto. Se estivesse desconfortável, não dormiria. Depois, como eu disse, ele passou a interagir. Uma vez, quando eu estava subindo uma ladeira, falou: “Força, mamãe”. Fiquei emocionada. Estou me divertindo com a criança, seguindo o meu coração.

Você também inspira mulheres com desafios semelhantes…

Minha história representa um estímulo para que as mães se mantenham no esporte. A prática esportiva é uma grande aliada da saúde física e mental, como foi comprovado no estudo da Asics. Esta pesquisa reforça a necessidade de aperfeiçoarmos e democratizarmos soluções para conciliar maternidade e esporte, de garantirmos a estrutura para mães não deixarem de se exercitar, sobretudo as mais pobres e vulneráveis. É uma responsabilidade conjunta: das autoridades públicas, das organizações, da sociedade.

Esses princípios a transformaram em embaixadora de marca?  

Exatamente. Sou embaixadora da Asics desde o ano passado, uma honra. Formamos um grupo seleto que compartilha e propaga valores alinhados à conscientização social sobre a importância da atividade física e a compromissos como derrubar barreiras que impedem as mães de praticarem esporte. Precisamos disseminar a cultura esportiva como mecanismo para a construção de caráter, saúde, educação, cidadania. Precisamos amadurecê-la também como instrumento de mobilização contra preconceitos dirigidos às mulheres. As redes sociais são importantes nisso. Muitas mulheres mostram, nas redes, do que são capazes. Recebo várias mensagens de apoio.

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Quais são suas inspirações neste sentido?

A Sara Hall, cujo marido também é atleta. Ela tem quatro filhos já adultos e agrega o esporte à família. Outra inspiração é a Luiza Paz, integrante da minha equipe: nunca deixou de correr, mesmo amamentando e se dedicando à maternidade.

Luíza com o filho e o marido
Luíza com o filho e o marido (Acervo pessoal/Reprodução)

Em meio às facetas de mãe e atleta, que ambições você cultiva?

Pretendo correr uma maratona em 2h45. Também quero outro filho.

O amor pelo Rio embala seus sonhos?

Muito. O esporte enriquece a minha relação com o Rio. Os treinos e as competições me fazem curtir paraísos como a Vista Chinesa, a Floresta da Tijuca e, claro, Itacoatiara, a melhor praia do mundo.

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Astros no soçaite

Gol & Gratidão reforça a temporada de jogos festivos. Sob a batuta do cantor L7nnon e do influenciador Negrete, bambas do esporte e do entretenimento ganham o Parque Olímpico nesta quarta (18), às 21h.

Astros como Romário, Marcelo, David Luiz, Gerson, MC Maneirinho, Papatinho, Ítalo Ferreira e Brabo Gordinho exibem suas habilidades no futebol soçaite e em desafios de técnica, pontaria, equilíbrio. O show de L7nnon arremata a programação. Produzida pela agência ALOB Sports, a iniciativa tem transmissão do Sportv.

L7nnon e Negrete olhando um para o outro
L7nnon e Negrete (ALOB Sports/Divulgação)

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Alexandre Carauta é jornalista e professor da PUC-Rio, integrante do corpo docente da pós em Direito Desportivo da PUC-Rio. Doutor em Comunicação, mestre em Gestão Empresarial, pós-graduado em Administração Esportiva, formado também em Educação Física. Organizador do livro “Comunicação estratégica no esporte”.

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