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Fabiano Serfaty

Por Fabiano M. Serfaty, clínico-geral e endocrinologista, MD, MSc e PhD. Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Saúde, Prevenção, Tratamento, Qualidade de vida, Bem-estar, Tecnologia, Inovação médica e inteligência artificial com base em evidências científicas.

Inteligência Artificial na medicina: o novo marco para a saúde no Brasil

Brasil avança com grupo pioneiro no no CREMERJ e CFM que definirá o uso seguro e responsável da IA na prática médica.

Por Dr. Fabiano M. Serfaty e Dr. Raphael Câmara.
Atualizado em 14 fev 2025, 19h10 - Publicado em 14 fev 2025, 18h23
Executivo de terno e gravata segura uma arte que remete à tecnologia da inteligência artificial.
Inteligência Artificial: responsabilidade do uso da I.A. na Medicina está em discussão em todo mundo. (Shutterstock/Reprodução)
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Estamos no limiar de uma revolução silenciosa que está redefinindo os pilares da prática médica globalmente. A Inteligência Artificial (IA), com sua capacidade de processar e interpretar dados complexos com precisão e agilidade, já está transformando o diagnóstico, o tratamento e o acompanhamento de pacientes. Desde algoritmos que identificam câncer em estágios iniciais até ferramentas que monitoram a saúde em tempo real, a IA tem o potencial de construir uma medicina mais eficiente e personalizada. No entanto, o uso seguro e ético dessas tecnologias ainda carece de regulamentações claras e bem definidas, tanto no Brasil quanto no resto do mundo. É nesse contexto que o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) deu um passo decisivo e pioneiro ao criar o primeiro Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial e Medicina. Liderando essa iniciativa inovadora está o Dr. Raphael Câmara, conselheiro federal reeleito do Rio de Janeiro no Conselho Federal de Medicina (CFM). Médico ginecologista, mestre em Epidemiologia e doutor em Ginecologia, Dr. Raphael combina experiência clínica, formação acadêmica sólida e visão estratégica para garantir que a prática médica brasileira esteja preparada para a integração responsável da IA. Essa ação coloca o Brasil em uma posição de destaque internacional, permitindo que médicos de todo o país participem da construção de diretrizes que garantirão a segurança, a autonomia e a humanização da prática médica no futuro. O Grupo de Trabalho não só posiciona o Cremerj como referência nacional e internacional, mas também abre portas para que os profissionais de saúde brasileiros moldem o futuro da medicina de forma ética e inovadora. Nesta entrevista exclusiva para a VEJA RIO, o Dr. Raphael Câmara compartilha os desafios e as oportunidades desse projeto, detalhando como a IA pode ser uma aliada poderosa, mas sempre sob o comando de médicos preparados e atentos às necessidades individuais dos pacientes. Prepare-se para uma conversa estratégica e esclarecedora sobre os rumos da saúde no Brasil, que está à frente de uma transformação histórica.

Dr. Fabiano M. Serfaty: Dr. Raphael, a criação do primeiro Grupo de Trabalho sobre Inteligência Artificial e Medicina no Cremerj é um marco. Por que essa iniciativa é tão relevante para a medicina brasileira?

Dr. Raphael Câmara: Estamos em um ponto de inflexão na história da medicina. A Inteligência Artificial já está transformando profundamente diagnósticos, prognósticos e tratamentos, mas ainda há uma lacuna na regulamentação. O Grupo de Trabalho é uma oportunidade única para que os médicos brasileiros influenciem as diretrizes futuras, garantindo que a prática médica continue ética e humanizada, mesmo diante do avanço tecnológico. Essa iniciativa não é apenas pioneira no Brasil, mas posiciona o Cremerj como um líder global na integração responsável da IA à saúde. No CFM, onde sou o conselheiro federal do Rio de Janeiro, também está sendo implantado um grupo para normatizar a IA para médicos em nível nacional.

Dr. Fabiano M. Serfaty: Como o grupo ajudará a moldar o uso da IA na prática médica diária?

Dr. Raphael Câmara: Nosso papel será criar diretrizes que definam os limites e as possibilidades da IA, assegurando que ela seja uma ferramenta de apoio, nunca uma substituta do julgamento médico. A IA pode agilizar diagnósticos e monitorar pacientes remotamente, mas também pode gerar dependência excessiva e desumanização do atendimento. O grupo garantirá que a tecnologia respeite a relação médico-paciente, priorizando sempre a segurança e a autonomia médica.

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Dr. Fabiano M. Serfaty: O avanço da IA na medicina está sendo impulsionado por grandes empresas de tecnologia. Como os médicos podem garantir que suas vozes sejam ouvidas?

Dr. Raphael Câmara: Esse é um ponto crítico. As grandes empresas estão moldando os debates sobre IA, mas os médicos, que conhecem a prática e as necessidades dos pacientes, precisam ocupar esse espaço. Se não estivermos presentes, as normas podem ser criadas sem considerar a complexidade do cuidado humano. O Grupo de Trabalho será nossa plataforma para garantir que os interesses dos profissionais de saúde e dos pacientes estejam no centro das decisões regulatórias e éticas.

Dr. Fabiano M. Serfaty: Quais benefícios práticos os médicos podem esperar ao participar desse grupo?

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Dr. Raphael Câmara: A participação proporcionará acesso a um networking qualificado com especialistas, reguladores e outros médicos pioneiros no tema. Isso pode abrir portas para colaborações, pesquisas e projetos inovadores. Além disso, os participantes estarão mais bem preparados para implementar a IA com segurança em suas práticas, o que será uma vantagem competitiva num mercado de trabalho cada vez mais tecnológico e dinâmico.

Dr. Fabiano M. Serfaty: A questão ética é uma preocupação constante. Como o grupo pretende lidar com os desafios éticos da IA na medicina?

Dr. Raphael Câmara: Precisamos estabelecer diretrizes claras para garantir que a IA não comprometa a autonomia dos médicos nem substitua o contato humano. Nosso foco será proteger a relação médico-paciente, definir critérios para o uso seguro da tecnologia e evitar uma dependência cega de sistemas automatizados. A IA deve ser uma aliada, potencializando a precisão e a eficiência, mas sempre sob o comando de profissionais capacitados e atentos à individualidade de cada paciente.

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Dr. Fabiano M. Serfaty: Como você vê o futuro da medicina com a integração da IA?

Dr. Raphael Câmara: A medicina do futuro já chegou, e ela será híbrida: uma combinação poderosa entre o julgamento humano e as capacidades analíticas da tecnologia. Os médicos que se adaptarem e liderarem essa transformação estarão na linha de frente dessa nova era, ajudando a criar um modelo de saúde mais eficiente, personalizado e humanizado. Estamos apenas no começo de uma revolução que redefinirá a prática médica, e o Cremerj e CFM estão preparados para serem protagonistas nesse cenário.

Dr. Fabiano M. Serfaty: Obrigado por compartilhar essa visão inspiradora e estratégica. Tenho certeza de que muitos profissionais estarão atentos a essas oportunidades.

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Dr. Raphael Câmara: Eu que agradeço. Estamos escrevendo um novo capítulo da medicina, e é um privilégio fazer parte dessa jornada transformadora.

 

 

 

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