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Fabiano Serfaty

Por Fabiano M. Serfaty, clínico-geral e endocrinologista, MD, MSc e PhD. Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Saúde, Prevenção, Tratamento, Qualidade de vida, Bem-estar, Tecnologia, Inovação médica e inteligência artificial com base em evidências científicas.

Mais da metade dos adultos e 1/3 das crianças terão sobrepeso até 2050

Mais da metade dos adultos com sobrepeso ou obesidade em 2021 estavam vivendo em apenas oito países - e Brasil era um deles, com 88 milhões nestas condições

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Atualizado em 12 mar 2025, 10h47 - Publicado em 11 mar 2025, 19h30
Profissional de saúde mede a cintura de uma pessoa obesa.
A obesidade é considerada uma doença crônica e um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. (Shutterstock/Divulgação)
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A obesidade tem se tornado uma das maiores ameaças à saúde pública mundial, com previsões alarmantes para as próximas décadas. Segundo a análise global mais abrangente já realizada pelo estudo Global Burden of Disease Study BMI Collaborators, publicada na revista The Lancet, as taxas de sobrepeso e obesidade entre adultos (25 anos ou mais) e crianças e adolescentes (5 a 24 anos) mais que dobraram entre 1990 e 2021, afetando 2,11 bilhões de adultos e 493 milhões de jovens em 2021.

Crescimento Acelerado e Distribuição Global

O ganho de peso varia amplamente em todo o mundo, com mais da metade dos adultos com sobrepeso ou obesidade em 2021 vivendo em apenas oito países: China (402 milhões), Índia (180 milhões), Estados Unidos (172 milhões), Brasil (88 milhões), Rússia (71 milhões), México (58 milhões), Indonésia (52 milhões) e Egito (41 milhões). A projeção indica que, sem mudanças urgentes nas políticas públicas, cerca de 60% dos adultos (3,8 bilhões) e um terço (31%) de todas as crianças e adolescentes (746 milhões) poderão estar com sobrepeso ou obesidade até 2050.

Impactos na saúde e na economia

A obesidade é um fator de risco para diversas doenças crônicas, incluindo diabetes tipo 2, hipertensão, doenças cardiovasculares e diversos tipos de câncer. Além disso, a obesidade precoce está associada a complicações de saúde que podem se manifestar cada vez mais cedo, conforme novas gerações ganham peso mais rapidamente do que as anteriores. Por exemplo:  em países de alta renda, aproximadamente 7% dos homens nascidos na década de 1960 estavam obesos aos 25 anos, mas esse número subiu para 16% entre os nascidos na década de 1990 e pode alcançar 25% para aqueles nascidos em 2015.

O impacto econômico da obesidade também é significativo. Com o aumento da prevalência da doença, os sistemas de saúde enfrentarão desafios cada vez maiores, especialmente em países de baixa e média renda, onde a infraestrutura já é sobrecarregada. Os custos diretos e indiretos da obesidade podem representar perdas substanciais no PIB global, chegando a trilhões de dólares nas próximas décadas.

O crescimento da obesidade infantil

O aumento da obesidade entre crianças e adolescentes é particularmente preocupante. Estima-se que o número de jovens com obesidade possa chegar a 360 milhões até 2050, um aumento de 121% em relação a 2021. Em regiões como o Oriente Médio, América Latina e Oceania, a obesidade já se tornou predominante entre crianças e adolescentes, superando o sobrepeso. Se medidas não forem adotadas rapidamente, essa tendência pode levar a impactos negativos de longo prazo na saúde pública.

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Ações necessárias para o combate à obesidade

Para frear o avanço da obesidade, especialistas destacam a necessidade de uma abordagem multifacetada, incluindo:

  • Políticas públicas eficazes, como regulamentação da publicidade de alimentos ultra-processados e incentivo a dietas mais saudáveis;
  • Investimento na prevenção e tratamento, com maior acesso a programas de saúde e educação nutricional;
  • Incentivo à prática de atividade física, especialmente entre crianças e adolescentes, por meio da inclusão de espaços recreativos e esportivos nas cidades;
  • Programas específicos para grupos de risco, considerando fatores socioeconômicos e culturais para evitar a progressão do sobrepeso para obesidade.

A obesidade é um desafio global que exige ação imediata. Sem mudanças estruturais significativas, a prevalência da doença continuará crescendo, agravando desigualdades e sobrecarregando os sistemas de saúde. Ações coordenadas entre governos, setor privado e sociedade civil são essenciais para reverter essa tendência e garantir um futuro mais saudável para as próximas gerações. Como afirmado por especialistas, ainda há tempo para prevenir uma transição completa para um mundo onde a obesidade seja a norma, mas isso exige compromisso político e social imediato.

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Fonte:

  1. Global, regional, and national prevalence of child and adolescent overweight and obesity, 1990–2021, with forecasts to 2050: a forecasting study for the Global Burden of Disease Study 2021. Kerr, Jessica A et al. The Lancet, Volume 405, Issue 10481, 785 – 812.    DOI: 10.1016/S0140-6736(25)00397-6

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