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Fabiano Serfaty

Por Fabiano M. Serfaty, clínico-geral e endocrinologista, MD, MSc e PhD. Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Saúde, Prevenção, Tratamento, Qualidade de vida, Bem-estar, Tecnologia, Inovação médica e inteligência artificial com base em evidências científicas.

O paradoxo da beleza carioca: Rio é o líder em excesso de peso no Brasil

A capital e o estado do Rio de Janeiro são líderes em excesso de peso no Brasil, com mais de 65% da população acima do peso ideal.

Por Dr. Alberto R. Serfaty
Atualizado em 19 dez 2024, 18h30 - Publicado em 18 dez 2024, 16h12
Profissional de saúde mede a cintura de uma pessoa obesa.
A obesidade é considerada uma doença crônica e um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. (Shutterstock/Divulgação)
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O Censo sobre Obesidade 2023, divulgado pelo governo brasileiro, revelou dados alarmantes sobre o excesso de peso no país, destacando tanto a capital quanto o estado do Rio de Janeiro como líderes, com mais de 65% da população acima do peso ideal. Esses números são um reflexo preocupante de questões estruturais de saúde pública, hábitos alimentares, sedentarismo e desigualdade social. A obesidade é uma doença crônica multifatorial que precisa de tratamento, envolvendo desde a falta de políticas preventivas efetivas até a desigualdade no acesso a alimentos saudáveis e espaços para a prática de atividades físicas.

Apesar de campanhas pontuais, os dados indicam que medidas preventivas e educativas não têm sido suficientes para combater o problema. A obesidade é uma questão multifatorial, e as políticas públicas ainda carecem de uma abordagem mais integrada, que considere educação alimentar, incentivo à prática de atividades físicas e combate ao marketing de alimentos ultraprocessados. A obesidade está frequentemente ligada à falta de acesso a alimentos saudáveis, o que é intensificado em áreas de maior vulnerabilidade. No Rio de Janeiro, o alto índice de excesso de peso gera uma pressão significativa no sistema de saúde, aumentando a prevalência de doenças crônicas. Isso eleva os custos públicos e reduz a qualidade de vida da população.

O Paradoxo da Vaidade Carioca

O Rio de Janeiro, tradicionalmente associado à cultura do corpo, com praias icônicas como Ipanema e Copacabana servindo de palco para a exibição de corpos esculpidos, enfrenta um cenário paradoxal. Essa “cultura da vaidade” é frequentemente sustentada por padrões de beleza inatingíveis e, em alguns casos, por práticas pouco saudáveis. Esse paradoxo evidencia a desconexão entre a imagem projetada e os desafios reais enfrentados pela população em relação à saúde e ao estilo de vida. Estudos recentes indicam que, por trás dessa obsessão pela estética, há uma realidade preocupante de sedentarismo, alimentação inadequada e desigualdade no acesso a recursos de saúde e bem-estar. A falta de políticas preventivas efetivas é um ponto crítico, pois, apesar de campanhas pontuais, as medidas preventivas e educativas não têm sido suficientes para combater o problema. A ciência nos mostra que a obesidade é uma doença crônica multifatorial que requer uma abordagem integrada e contínua, e não apenas uma questão estética. Portanto, é fundamental que políticas públicas sejam implementadas de forma eficaz e que a sociedade como um todo se engaje na promoção de um estilo de vida mais saudável e equilibrado.

Possíveis Soluções para Reverter o Cenário
Para reverter o cenário alarmante da obesidade no Rio de Janeiro, é crucial adotar uma abordagem baseada em evidências científicas. Estudos mostram que a educação nutricional é fundamental para promover hábitos alimentares saudáveis desde a infância. Implementar programas de conscientização alimentar nas escolas e comunidades pode ajudar a formar uma base sólida de conhecimento sobre nutrição. Além disso, a criação de espaços públicos seguros e acessíveis para a prática de atividades físicas é essencial para incentivar um estilo de vida ativo. A regulação da publicidade de alimentos ultraprocessados, especialmente voltada ao público infantil, é uma medida importante para reduzir a exposição a produtos pouco saudáveis. A taxação de produtos ultraprocessados também pode ser uma estratégia eficaz para desincentivar seu consumo. Apoiar iniciativas que promovam o acesso a alimentos frescos, como feiras e programas comunitários, pode fazer uma grande diferença na dieta da população. A ciência nos mostra que a obesidade é uma doença crônica multifatorial que requer uma abordagem integrada e contínua. Não se trata apenas de uma questão estética, mas de saúde pública, que impacta diretamente a qualidade de vida e a longevidade das pessoas. Portanto, é fundamental que políticas públicas sejam implementadas de forma eficaz e que a sociedade como um todo se engaje na promoção de um estilo de vida mais saudável e equilibrado.

Consequências destes resultados alarmantes e suas implicações

Alimentação Inadequada e Ultraprocessados: Estudos científicos indicam que, apesar da busca por um corpo ideal, a rotina acelerada da cidade e o custo elevado de alimentos frescos levam muitas pessoas a recorrerem a alimentos ultraprocessados. Esses alimentos são ricos em calorias e pobres em nutrientes, contribuindo significativamente para o aumento da obesidade.

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Sedentarismo Mascarado: Embora o Rio de Janeiro seja conhecido por esportes ao ar livre, como corrida e futebol, grande parte da população não tem acesso seguro ou regular a essas atividades, especialmente em áreas periféricas. A falta de infraestrutura adequada e de espaços públicos seguros limita a prática de exercícios físicos, exacerbando o problema do sedentarismo.

Padrões de Beleza Tóxicos: A pressão estética pode levar à frustração e, paradoxalmente, ao abandono de práticas saudáveis. Muitas pessoas, ao não alcançarem os padrões impostos, acabam desistindo de adotar hábitos sustentáveis de cuidado com o corpo. A ciência mostra que esses padrões de beleza inatingíveis podem ter efeitos adversos na saúde mental e física.

Impacto Psicológico: A discrepância entre o desejo de atender aos padrões de beleza e a realidade do excesso de peso pode gerar problemas como ansiedade, depressão e distúrbios alimentares. Esse ciclo vicioso agrava o problema da obesidade, criando barreiras adicionais para a adoção de um estilo de vida saudável. Estudos demonstram que a saúde mental está intrinsecamente ligada à saúde física, e a abordagem integrada é essencial para o tratamento eficaz da obesidade.

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Desigualdade Social: A obesidade está frequentemente ligada à falta de acesso a alimentos saudáveis, o que é intensificado em áreas de maior vulnerabilidade. No Rio de Janeiro, onde a desigualdade social é marcante, o acesso a alimentos ultraprocessados baratos e a falta de espaços públicos seguros para atividades físicas são fatores que contribuem para esse quadro.

Impacto no Sistema de Saúde: O alto índice de excesso de peso gera uma pressão significativa no sistema de saúde, aumentando a prevalência de doenças crônicas, como diabetes tipo 2 e hipertensão arterial. Isso eleva os custos públicos e reduz a qualidade de vida da população.

O dado de que 65% da população do Rio de Janeiro está com excesso de peso não pode ser encarado apenas como uma estatística, mas como um alerta para ações urgentes e estruturais.  A obesidade não é uma falha individual, mas um reflexo de um sistema que precisa de ajustes profundos. O paradoxo da vaidade carioca evidencia que a obsessão com a aparência não necessariamente se traduz em saúde ou bem-estar. Pelo contrário, pode mascarar problemas estruturais e culturais que contribuem para o aumento do excesso de peso. É fundamental que o debate vá além da estética e foque na promoção de uma cultura de saúde integral, que valorize a diversidade corporal e ofereça acesso igualitário a recursos que promovam uma vida saudável. A liderança do Rio de Janeiro nesse ranking deve servir como um alerta para repensar os valores e prioridades da sociedade carioca.

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Fonte:

  1. https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/cnie/obesidade

 

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