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Fábio Barbirato

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Psiquiatra infantil

Celulares proibidos nas escolas: como fica a ansiedade dos pais?

Acostumados a terem livre acesso aos filhos sempre que queriam, pais também estão sendo obrigados a se reeducarem

Por Fabio Barbirato
25 fev 2025, 11h25
Mulher preocupada olha para o telefone celular.
Proibição dos celulares nas escolas é desafio para filhos, mas também para os pais. (Freepik/Reprodução)
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Foi a grande novidade no ano letivo de 2025: a partir de agora, os telefones celulares estão oficialmente proibidos nas escolas e não podem ser usados nem mesmo durante os recreios ou intervalos. O Brasil se junta a mais de 60 países que já seguem essa prática, como Estados Unidos, Portugal, França, China, Nova Zelândia e Itália. A determinação é uma reação ao excesso de telas nas dependências escolares, comportamento que traz prejuízos pedagógicos e comprometimentos comportamentais e à saúde mental.

No Rio de Janeiro, onde a regra começou a valer antes mesmo de ser uma lei federal, houve uma perceptível redução nos casos de bullying e uma melhora no desempenho escolar, com mais participação nas classes e melhores notas dos alunos (em Matemática, por exemplo, a melhora a melhora foi de 53%).

Nas escolas do Rio, os alunos nunca podem pegar no telefone durante as aulas, apenas antes de elas começarem ou ao final do dia. E é aí que a coisa complica, não para as crianças, mas para os pais delas. Desde que a legislação entrou em vigor, tenho ouvido relatos de pais que não estão sabendo lidar com a impossibilidade de comunicação imediata com os filhos sempre que desejado.

A nova regra será um desafio para as crianças, mas também para os pais – arrisco dizer que talvez ainda mais para estes últimos. Curiosamente, estamos falando de gerações que cresceram sem celular ou com aparelhos longe das funcionalidades que os de hoje apresentam. Os mais antigos iam para a escola e sequer tinham contato com o mundo exterior. A partir do final dos anos 1990 e começo dos 2000, celular era para ligar e mandar SMS, e olhe lá! Nada a ver com os verdadeiros computadores que estão à disposição hoje. E agora, são justamente esses pais, que precisam se readequar aos novos tempos.

Sabemos que a preocupação em ter os filhos ao alcance de uma ligação é justificável, à medida em que as cidades estão mais violentas e os perigos às crianças e jovens são concretos. Mas dentro de uma escola, esses riscos estão minimizados. Naquele ambiente, a única preocupação das crianças deve ser aprender e socializar. E a preocupação dos pais deve ser que eles aprendam, socializem e mais: possam amadurecer diante das situações em que pai e mãe não estar por perto. Menos super proteção e mais independência. Isso também é parte da educação.

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Já disse anteriormente e repito: nesse processo de redefinição da experiência dos celulares na vida das crianças, é fundamental que os pais estejam atentos para não oferecerem em casa justamente a experiência contrária da escola. Se em aula o aparelho está proibido, também não deve estar totalmente liberado em casa. Não se trata de uma compensação, mas de uma readequação.

Nesta caminhada, que tenho certeza que será produtiva, há lições e desafios para todos: pais e filhos.

Fabio Barbirato é psiquiatra pela ABP/CFM e responsável pelo Setor de Psiquiatria Infantil do Serviço de Psiquiatria da Santa Casa do Rio. Como professor, dá aulas na pós-graduação em Medicina e Psicologia da PUC-Rio. É autor dos livros “A mente do seu filho” e “O menino que nunca sorriu & outras histórias”. Foi um dos apresentadores do quadro “Eu amo quem sou”, sobre bullying, no “Fantástico” (TV Globo).

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