Cresce consumo de bebidas alcoólicas por mulheres, conclui estudo
Em nossas clínicas também notamos um aumento do consumo de álcool nos últimos anos

Depois da pandemia, a presença de mulheres em grupos de apoio para parar de consumir bebidas alcoólicas subiu mais de 40%, segundo os Alcoólicos Anônimos. Uma sucessão de fatores levou ao crescimento do consumo de bebidas por mulheres durante o isolamento social: o acúmulo de tarefas em casa – com home office e aulas online dos filhos –, trazendo prejuízo à saúde mental e levando-as a recorrerem ao consumo abusivo de álcool.
Segundo o Ministério da Saúde, 37 mil mulheres morreram em função de doenças ligadas às bebidas alcoólicas. Isso corresponde a quatro mulheres por hora. Ainda de acordo com o Ministério, o percentual de alcoolismo entre mulheres dobrou nos últimos anos: saltou de 7,7% em 2006 para 15,2% em 2023.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, em 2016, cerca de 6% das mulheres consumiam álcool, percentual que pulou para quase 12%, antes mesmo da pandemia. Segundo a OMS, em comparação com outros países, o consumo de álcool por mulheres é maior no Brasil (cerca de 5,5 litros por mulher em 2019). Dentre as bebidas mais consumidas estão 63% de cerveja, 33% destilados (como cachaça e vodka) e 4% vinho. As implicações desse consumo excessivo aparecem em diversas situações: em acidentes no trânsito, em brigas e desarmonia familiares, no prejuízo laboral e no comprometimento financeiro.
Também em nossas clínicas, notamos que a vida atarefada das mulheres tem trazido danos à saúde, além do consumo de álcool e suas consequências para o corpo – como a esteatose hepática, cirrose e outras complicações para o fígado. Notamos o agravamento da saúde das mulheres em decorrência do estresse. Se antes o infarto do miocárdio era mais raro em mulheres, hoje a incidência se equipara aos homens. O câncer de mama, que era mais comum após a menopausa, já se identifica com facilidade em mulheres com menos de 35 anos. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, hoje o AVC e o infarto do miocárdio matam ou incapacitam as mulheres duas vezes mais que todos os cânceres femininos reunidos.
Nossa metodologia de trabalho é guiada pelo conceito de que cada pessoa é única: corpo e mente. Quando a paciente entra em contato com as clínicas para agendar o seu check-up, ela recebe um questionário preliminar que possibilita uma avaliação inicial de seu histórico familiar, estilo de vida, risco coronariano, níveis de estresse emocional, ansiedade, depressão e alcoolismo. Quando o cliente chega à clínica, já temos uma noção concreta do seu histórico de saúde.
Uma vez na clínica, a cliente passa por diversas avaliações: clínica geral, cardiológica em repouso e em esforço, oftalmológica, pneumológica, avaliação do sono e predisposição à síndrome de apneia do sono, ginecológica, mastológica, dematológica com dermatoscopia e nutricional (pós-check up). Além disso, exames complementares também são realizados, como ultrassonografias abdominal, transvaginal e mamária, eletrocardiograma basal, radiografias digitalizadas do tórax, prova de função respiratória e mamografia digital, por exemplo. O check-up é complementado com exames laboratoriais de sangue, urina e fezes.
Com os exames concluídos, na etapa do pós-check-up via telemedicina, são desenvolvidos programas de promoção à saúde individualizados, observando fatores de risco e o estilo de vida da cliente. O resultado é real: cerca de 800 executivas monitoradas neste ano mostraram melhoras concretas em seus níveis de estresse e peso, por exemplo.
A longevidade com autonomia não é um milagre. Ela é resultado de um estilo de vida saudável, que alia exercícios físicos regulares, alimentação equilibrada, sono reparador e check-up preventivo periódico, fatores que são acessíveis a boa parte da população.
Saúde é prevenção!
Gilberto Ururahy é médico há mais de 40 anos, com longa atuação em Medicina Preventiva. Em 1990, desenvolveu a Med Rio Check-up, líder brasileira em check-up médico. É detentor da Medalha da Academia Nacional de Medicina da França, Conselheiro estratégico da ABRH-Brasil e autor de quatro livros: Como se tornar um bom estressado (editora Salamandra), O cérebro emocional (editora Rocco), Emoções e saúde (editora Rocco) e Saúde é Prevenção (editora Rocco), com o médico Galileu Assis, diretor da Med Rio Check-up.