“Epidemia” de câncer de colorretal: razão pode estar nos ultraprocessados
Incidência da doença em jovens seria explicada pelos ultraprocessados ricos em óleo

Um dos temas em Medicina que mais tem intrigado pesquisados nos últimos tempos é o recente crescimento do câncer colorretal em pacientes com menos de 50 anos. Agora, um novo estudo publicado na Gut Magazine, publicação associada à respeitada British Medical Journal, destinada a temas de gastroenterologia e hepatologia, oferece algumas pistas para elucidar o assunto. Cientistas da University of South Florida concluíram que gorduras específicas presentes em alimentos ultraprocessados aumentam a inflamação associada ao desenvolvimento desse tipo de tumor.
De acordo com os pesquisadores, essa inflamação pode ser identificada nos próprios tumores do cólon e o câncer, no caso, seria como como uma ferida crônica, que não cicatriza. Pacientes com dietas não saudáveis têm aumento de inflamação no corpo e, portanto, quando o organismo se alimenta frequentemente de alimentos ultraprocessados, a capacidade de curar essa ferida diminui devido à inflamação e ao prejuízo ao sistema imunológico, o que vira um terreno fértil para que o câncer avance.
No estudo americano, pesquisadores usaram uma técnica analítica altamente sensível para identificar pequenas quantidades de lipídios em 162 amostras de tumores de pacientes de um hospital na Flórida.
A equipe observou que, dentro dos tumores, havia um excesso de moléculas derivadas de ácidos graxos ômega 6, que promovem a inflamação, e uma escassez daquelas que ajudam a combater esse processo, contidas nas fontes de ômega 3. O que pouca gente sabe é que gorduras do tipo ômega 6 estão diretamente ligadas a produtos ultraprocessados, ricos em óleos de sementes como milho, canola e girassol. Porém, o trabalho não fez nenhuma associação direta entre o surgimento do câncer a um óleo específico.
Pesquisadores ressaltaram que há uma diferença essencial entre gorduras presentes naturalmente nos alimentos e aquelas procedentes de alimentos ultraprocessados. O corpo humano é capacitado para dar conta de inflamações por meio de compostos lipídicos bioativos derivado de gorduras saudáveis, como abacates e castanhas. Se a origem das moléculas é produtos alimentícios processados, há um desequilíbrio do sistema imunológico e potencializam a inflamação crônica.
Segundo os cientistas, uma das causas do crescimento do número de casos de câncer é justamente as significativas mudanças na maneira como as populações passaram a se alimentar desde das últimas décadas. Desde os anos 1950, os níveis dos lipídios ômega 6 – mais inflamatório – no corpo humano aumentaram significativamente. Uma das causas mais prováveis são as mudanças na dieta, especialmente no Ocidente, incluindo o consumo de ultraprocessados, como hamburguer, biscoitos e refrigerantes, por exemplo.
Os pesquisadores fizeram questão de ressaltar no estudo que o sistema imunológico do ser humano pode ser extremamente poderoso e impactar drasticamente o microambiente do tumor, o que é ótimo se utilizado corretamente para a saúde e o bem-estar. No entanto, isso só acontecerá se ele lipídios inflamatórios de alimentos processados forem banidos dos cardápios, priorizando alimentos saudáveis e não processados, ricos em ácidos graxos ômega 3.
Além da alimentação saudável, os cientistas definiram como “mecanismos de cura do corpo”, outros fatores que defendemos reiteradamente com nossos clientes: noites de sono equilibrado, prática de exercícios físicos, distância do tabagismo e de bebidas alcoólicas e, claro, realização de exames preventivos periódicos.
Saúde é prevenção!
Gilberto Ururahy é médico há mais de 40 anos, com longa atuação em Medicina Preventiva. Em 1990, desenvolveu a Med Rio Check-up, líder brasileira em check-up médico. É detentor da Medalha da Academia Nacional de Medicina da França, Conselheiro estratégico da ABRH-Brasil e autor de quatro livros: Como se tornar um bom estressado (editora Salamandra), O cérebro emocional (editora Rocco), Emoções e saúde (editora Rocco) e Saúde é Prevenção (editora Rocco), com o médico Galileu Assis, diretor da Med Rio Check-up.