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Helen Pomposelli

Por Helen Pomposelli, jornalista, terapeuta integrativa sistêmica e criadora do Per Vivere Bene Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Bem-estar

Wellness Building: onde morar com saúde e qualidade de vida

Conceito é a reunião do green building, impacto ambiental, com o health building, que está dentro dos pilares de bem-estar

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12 mar 2025, 11h27
O Tibá - Instituto de Tecnologias Intuitivas e Bio-Arquitetura, é um centro educacional de ecologia aplicada e arquitetura de baixo impacto.
O Tibá - Instituto de Tecnologias Intuitivas e Bio-Arquitetura, é um centro educacional de ecologia aplicada e arquitetura de baixo impacto.  (Divulgação/Divulgação)
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Saúde e qualidade de vida são os pilares que mais crescem nas tendências mundiais de bem-estar. Essa busca pelo equilíbrio da mente e do espírito está afetando não só as escolhas de forma de trabalho e o estilo de vida, mas também as residências, ou seja, em onde você vai morar e viver. Sim,  existem pessoas buscando morar em ambientes especiais para relaxamento, bem-estar e socialização. E o Wellness Building, conceito no mercado imobiliário que vem numa crescente desde a pandemia, ganha espaço para quem busca conforto e conexão com a natureza, que também estão na lista dos mais procurados luxos de se viver melhor. O conceito é a reunião do green building, com pouco impacto ambiental, com o health building, que está dentro dos pilares de bem-estar.

Iluminação, climatização, natureza: a importância de viver num lugar que reflete a nossa saúde e bem-estar

Aproveitando essa tendência, arquitetos, incorporadoras e até escolas especializadas estão evoluindo para o mercado global da bioarquitetura. Você já ouviu falar em edifício-árvore? O  Auris Residenze, primeiro “edifício-árvore” do Brasil, acaba de receber a pré-certificação WELL Building Standard, concedida pelo International WELL Building Institute (IWBI), um dos selos mais respeitados do mundo, voltado para edificações que priorizam a qualidade de vida e o bem-estar dos moradores. O empreendimento, situado no litoral catarinense, traz tecnologias inovadoras que garantem ar mais puro e água filtrada em todo o edifício, além de soluções sustentáveis que reduzem o consumo de energia em 26%, o uso de ar-condicionado em 42% e o consumo de água em até 52%, assim como detectores de CO2.

O Auris Residenze, primeiro “edifício-árvore” do Brasil, acaba de receber a pré-certificação WELL Building Standard, concedida pelo International WELL Building Institute (IWBI)
O Auris Residenze, primeiro “edifício-árvore” do Brasil, acaba de receber a pré-certificação WELL Building Standard, concedida pelo International WELL Building Institute (IWBI) (Divulgação/Divulgação)

Segundo o sócio-diretor da My Broker Imobiliária, Victor Albuquerque, o contexto atual está levando as casas e os condomínios a deixarem de ser um lugar de “morar” e passarem a ser  um local para “viver e conviver”.  “Os indivíduos têm percebido que o isolamento não lhes fez bem, o que deu início a um novo movimento: a valorização das comunidades, de estar perto de grupos com os quais se tem identificação. E isso repercutiu sobre os imóveis”, comenta Victor. Por isso, o novo luxo chegará para atender às necessidades do consumidor moderno que tem a demanda por experiências de bem-estar, wellness, e de uma vida social que independe da internet e das redes. “Espaços que amenizam os efeitos negativos da rotina contemporânea. As pessoas estão, de alguma forma, precisando se reconectar com o outro e consigo mesmas, e os residenciais estão passando a ter também este propósito de estimular a convivência, o bem-estar emocional de seus ocupantes”. Em sua visão, localização, tamanho de apartamento ou acabamento não serão os fatores de decisão de compra. 

O AGE 360, um novo edifício residencial em Curitiba, cujo projeto foi liderado por Greg Bousquet da Architects Office para a incorporadora AG7, transformou a paisagem do bairro Ecoville ao propor um marco de arquitetura vertical que combina inovação técnica, sustentabilidade e qualidade de vida. “A conexão com a natureza é uma prioridade, com elementos naturais integrados ao design, proporcionando uma sensação de tranquilidade e bem-estar. A ampla utilização de luz natural melhora o humor, aumenta a produtividade e promove um ambiente mais saudável. Sistemas de ventilação projetados para melhorar a qualidade do ar interno garantem um ambiente fresco e saudável. As áreas comuns são projetadas para promover interação social e atividades comunitárias, essenciais para a saúde mental e emocional”, explica Alfredo Gulin Neto.

O Wellness no AGE360 se propõe abranger aspectos emocionais, sociais e ambientais e possui áreas comuns projetadas para estimular a convivência e a interação social e o bem-estar emocional, como espaços de meditação e salas de ioga, além de jardins terapêuticos que oferecem um ambiente tranquilo e relaxante. “A integração de elementos naturais ao design, como jardins verticais e paisagismo abundante, também contribui para um ambiente acolhedor e revitalizante, priorizando a sustentabilidade através do uso de materiais ecológicos e práticas de construção sustentáveis e ajudando a reduzir os níveis de estresse e promovendo o bem-estar mental”

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A vegetação urbana ajuda a melhorar a qualidade do ar, filtrando poluentes e proporcionando um ambiente mais limpo e respirável. Ter acesso fácil a espaços naturais permite que as pessoas se conectem com a natureza, aumentando a sensação de pertencimento e satisfação pessoal. Espaços verdes comuns incentivam interações sociais, fortalecendo o senso de comunidade e criando laços entre os moradores. 

Estudos mostram que a presença de elementos naturais pode aumentar a criatividade e a produtividade, melhorando o desempenho em diversas atividades.

Guilherme Britto, da Gardi Projetos Conscientes, responsável por um novo condomínio sustentável focado em regeneração no Vale das Videiras, no distrito de Araras, em Petrópolis , Região Serrana do Rio, planeja as casas buscando baixo impacto, pousadas no solo, suspensas, com mínima intervenção no terreno, evitando terraplanagem e mudança no fluxo das águas no solo. “A orientação favorece a incidência solar para aquecimento de água e geração de energia, ao mesmo tempo protegendo do calor excessivo, principalmente à tarde”. 

Segundo Guilherme, existe todo um cuidado com o manejo das águas, tanto as águas superficiais (chuva) no terreno quanto a captação de água de chuva no telhado, reuso de águas cinzas e tratamento biológico para as águas negras. “O posicionamento, a geometria da casa e posicionamento de esquadrias e brises favorecem a exaustão e ventilação natural e são conceitos de bioclimática. Ou seja, não utilizamos materiais que gerem emissões de vapores tóxicos. São pedras naturais, madeiras apenas com cera de abelha e Carnaúba, pintura com cal, pisos de pedra. Na implantação do condomínio todo, focamos em soluções baseadas na natureza, com jardins de chuva e biovaletas, estruturas que promovem a retenção e infiltração das águas de chuva , paisagismo com espécies nativas e principalmente frutíferas, corredores verdes entre os lotes, posicionamento que preserva vistas e contato com a natureza, vias internas com calçamento drenante “pé de moleque”.

arquitetura kailasa
Kailasa Zen Garden, um refúgio situado no vale da Serra da Mantiqueira, no Sul de Minas (Divulgação/Divulgação)
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A tendência de se reconectar à natureza está tão em alta, que chega também ao Airbnb: com foco em sustentabilidade, experiências ecológicas e destinos off-the-grid. Um ótimo exemplo é o Kailasa Zen Garden, um refúgio situado no vale da Serra da Mantiqueira, no Sul de Minas, que tem como proposta integrar a consciência de quem o visita com a natureza. O espaço é resultado do sonho de um casal que viaja e se conecta com a energia do mundo. Segundo Karla Ortiz, desde o início do projeto, foram utilizadas diversas técnicas arquitetônicas, incluindo paisagismo e conceitos esotéricos de templos de Bali, jardins japoneses e Feng Shui, da China. “Das nossas viagens a Bali, trouxemos referências da arquitetura esotérica dos importantes templos, junto com o paisagismo tropical sensorial, que pode ser visto e sentido em algumas áreas do Kailasa. Já dos estudos do Japão, vieram conceitos filosóficos importantes como Wabi Sabi, que vê perfeição no rústico e no antigo; do paisagismo “seek and hide”, que é a importância de se esconder ângulos diferentes dos jardins para mostrá-los em outro momento, nunca deixando quem contempla andar em linhas retas. A experiência que propomos tem como objetivo desacelerar o passo dos hóspedes com trilhas de pedras e pontes, para ampliar suas consciências. Outro estudo colocado no projeto foi o conceito de Ma, que é o valor do respiro entre os diferentes elementos dos jardins”. Diz Fernando Aguiar 

A arquitetura do Kailasa Zen Garden também apresenta materiais rústicos, como madeira, eucalipto e bambu, e ao redor das casas, há sempre uma engawa, que são deques de contemplação japoneses. Estes deques estão por todos os lugares, e também nos jardins. “A proposta é abraçar a natureza o tempo todo, em um contato único, que só a experiência no lugar permite. Há diversos jardins de inverno e jardins tropicais, cada um com um tema e uma intenção, todos usando técnicas e conceitos balineses e japoneses”, diz Karla Ortiz, que resolveu abrir para aluguéis no Airbnb,a  fim de que mais pessoas possam se beneficiar da energia de cura do lugar.

Para quem quer aprender ou saber mais!

O Tibá – Instituto de Tecnologias Intuitivas e Bio-Arquitetura é um centro educacional de ecologia aplicada e arquitetura de baixo impacto. A escola alternativa foi fundada em 1987 pelo arquiteto e urbanista holandês Johan van Lengen, lenda do movimento de sustentabilidade ao redor do mundo – autor do Manual de Arquiteto Descalço. Situado perto da cidade de Bom Jardim, no estado do Rio de Janeiro, o Instituto Tibá é famoso por organizar oficinas com especialistas de renome em design intuitivo, bio-arquitetura, construção com bambu, bioconstrução, agrofloresta e PANCs (plantas comestíveis não convencionais), e oferece consultas para projetos arquitetônicos.

Nos últimos anos, Marc van Lengen e Aga Probala foram cuidando do Instituto Tibá e do legado do Johan van Lengen na criação de um lugar de intercâmbio e experiência em bioarquitetura e outros meios para a sustentabilidade.  Segundo Aga, artesã e diretora do Tibá, o local é um portal que nos mostra como podemos aprender na vida, as direções que a natureza pode nos dar, mas também como podemos criar um espaço para viver com a natureza de forma mais integrada. “ O curso é como uma vivência que ensina técnicas de bioconstrução e também como a vida pode ser fora das cidades”. 

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Outro destaque da escola é o bambu, chamado de “material do futuro”. Lá são ensinadas técnicas ancestrais renováveis e novas construções. “ Temos a sorte que, desde os anos 70, meu pai estava interessado nessas coisas, e temos um ciclo de profissionais nacionais e internacionais voltando agora. Conseguimos trazer mestres de todo mundo para ensinar e também aprender com a gente”, diz Marc van Lengen, que é especializado em teto verde, sistemas de telhados e jardins verticais. “Não é uma arquitetura de aparência. Trata de como você se relaciona com seu entorno e como promove a vida. Com propósito de ser mais abraçando, embutindo texturas naturais com elementos como a planta e a água,. 

Tiba-Rio – Instituto de Tecnologia Intuitiva e Bio- Arquitetura

Estrada do Alto Sertão S/N,

Bom Jardim, RJ.

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28660-000 Brasil

Tel. +55-21-99253 4232

contato@tibario.com

www.tibario.com

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