“Central do Brasil”: sessão com trilha ao vivo
Os compositores Antonio Pinto, ao piano, e Jaques Morelenbaum, no violoncelo, são convidados da Petrobras Sinfônica

A música está presente de várias formas no trabalho do cineasta Walter Salles, desde a trilha sonora de seus filmes até declarações sobre a importância da música brasileira. E é isso que vai mostrar a Orquestra Petrobras Sinfônica em sessão do Cine Concerto Central do Brasil, no Teatro Riachuelo, no Centro, na quarta e quinta (02 e 03/04), às 20h. O espetáculo vai mostrar o filme de Salles (de 1998) na íntegra, com interpretação ao vivo da trilha sonora pelos compositores Antonio Pinto, ao piano, e Jaques Morelenbaum, no violoncelo, sob a regência de Alexey Kurkdjian Ogalla.
“Central” foi a terceira colaboração do compositor Antonio Pinto com o diretor (até hoje foram cinco), para muitos críticos, uma das trilhas sonoras mais bonitas de todos os tempos, assim como o filme, que ganhou o Globo de Ouro em 1999 e recebeu duas indicações ao Oscar, uma delas para Melhor Atriz (Fernanda Montenegro).
“Buscamos maneiras de nos aproximar do público e poder celebrar a genialidade brasileira com este Cine Concerto. ‘Ainda Estou Aqui’ trouxe a estatueta para casa, mas essa história começou em 1998, com ‘Central’. Estamos muito felizes em poder compartilhar este momento com nossos espectadores”, diz Marcos Souza, diretor de projetos da orquestra e compositor de trilhas sonoras.
A concepção e direção do espetáculo é de Anselmo Mancin, e o diretor artístico da orquestra é Isaac Karabtchevsky, cuja missão é aproximar o público da música de concerto.
A trilha do longa tem 20 músicas originais. Desde então, Antonio criou composições para “Abril Despedaçado” e “Cidade de Deus”, no Brasil, e “Colateral”, “Senhor da Guerra”, “A Estranha Perfeita”, “Plano de Fuga”, “O amor nos tempos do cólera” e outras superproduções hollywoodianas.
“Ainda estou aqui”, o ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro, de Salles, também se destaca pela trilha – em algumas cenas, elas chegam a dialogar com as falas dos personagens. E como a história é ambientada nos anos 1970, canções da MPB e da Tropicália foram escolhidas para levar o espectador para aquele contexto histórico, entre a censura, a violência e a luta por liberdade, com Caetano Veloso, Roberto Carlos, Juca Chaves, Mutantes, Gal Costa e a mais marcante, de Erasmo Carlos: “É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo”, um dos clássicos da dobradinha Erasmo-Roberto, do álbum Carlos, Erasmo…(1971). Na recente produção, a trilha original é assinada por Warren Ellis, e algumas faixas foram produzidas por Manoel Barenbein, produtor da era da Tropicália.