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Patricia Lins e Silva

Por Patrícia Lins e Silva, pedagoga Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Educação

Adolescência: um seriado de televisão e a força da cultura

Produção inglesa expõe de modo inquietante o contexto cultural, social e civilizacional em que as histórias se desenrolam

Por Patricia Lins e Silva Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
24 mar 2025, 17h46
Owen Cooper interpreta Jamie na série Adolescente, Netflix
Owen Cooper interpreta Jamie na série Adolescente, da Netflix (Netflix/Divulgação)
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A série inglesa ‘Adolescentes’ é o assunto do momento, comentado e discutido nas conversas e encontros, com razão. A história de adolescentes que vivem nas redes sociais, que se expõem o tempo todo e fazem ou sofrem bullying cria um impacto e um alerta para a realidade específica em que as novas gerações estão se desenvolvendo. Além da trama interessante e da qualidade técnica notável, com as cenas filmadas sem cortes, a série mostra inteligência e sensibilidade ao mostrar questões culturais e existenciais que atravessam a sociedade contemporânea.

Uma nova subjetividade surgiu com as redes sociais. As crianças e jovens de hoje buscam o olhar do outro nas redes para se assegurarem de que existem. O olhar das redes é responsável pelo bem estar e pelos sofrimentos de uma geração. A vida no mundo virtual é o que se posta nas telas. 

A filósofa Marilena Chauí afirma que a tecnologia não provocou apenas uma mudança no mundo. Foi além: aconteceu uma mutação civilizacional. Estamos em outra realidade – uma nova forma de viver, de ser e de se perceber.

O seriado inglês capta essa transformação com rara sensibilidade. Não apresenta conclusões fáceis para o comportamento dos jovens, como apontar os pais como culpados, por excesso de mimo ou de severidade com os filhos. Os pais tendem a ser amorosos, cada um à sua maneira, e  nenhuma é perfeita.

No momento, todos, pais e crianças, estão sendo atropelados pela cultura digital, que potencializa a crueldade de jovens, e onde se dá continuidade ao machismo estrutural, uma questão impregnada na sociedade. 

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Na série, o pai é rude, desajeitado, tenta proteger o filho. Mas não consegue, diante da força esmagadora da cultura. 

A diferença de tratamento dado ao menino na delegacia e aos alunos na escola chama a atenção. O contraste revela como as instituições lidam de forma desigual com situações semelhantes.

A conversa do casal numa das cenas finais é marcante. Pais sem nenhuma sofisticação intelectual expressam, com franqueza e vulnerabilidade, as mesmas dúvidas e angústias que pairam sobre todos os pais: acertamos? Erramos? Podíamos ter feito diferente? Talvez… mas já não foi. É uma cena comovente .

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A série amplia a visão para além dos pais e filhos protagonistas e leva a refletir sobre o mundo em que estamos vivendo. Ao não propor explicações reducionistas, expõe de modo inquietante o contexto cultural, social e civilizacional em que as histórias se desenrolam. Vale a pena assistir. 

E a escola precisa pensar seu papel na realidade criada pelas novas tecnologias. Vai continuar reproduzindo uma sociedade obsoleta ou pode se repensar para formar gerações que inventem um mundo realmente novo, mais ético e mais sábio. 

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