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Patricia Lins e Silva

Por Patrícia Lins e Silva, pedagoga Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Educação

Bullying não é uma brincadeira, é uma questão moral 

O trabalho de construção moral é um processo de reflexão permanente para que se estruture uma consciência ética para a vida

Por Patricia Lins e Silva Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 7 fev 2025, 16h36 - Publicado em 7 fev 2025, 16h36
Bullying
A família e a escola precisam estar atentas ao bullying, que pode ser muito cruel e maltratar as pessoas. (Freepick/Reprodução)
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A suspensão de alunos responsáveis por bullying contra colegas em uma escola de São Paulo, mais do que render manchetes e notícias nas mídias convencionais e nas redes sociais, teve a consequência positiva de chamar a atenção para um problema ético grave que as famílias e a escola precisam enfrentar.

Bullying não é brincadeira de criança ou de jovem. Divertir-se exercendo poder e dominação sobre outras pessoas é coisa séria, que envolve questões morais a serem discutidas pelas famílias e pela escola.

O bullying se manifesta, em geral, contra pessoas rejeitadas pelos colegas por razões perversas e que se tornam alvo de agressões e humilhações de todos os tipos, não necessariamente físicas. Com o ambiente virtual, a agressividade  se amplia e se fortalece, e dá ao agressor a ilusão de um certo ‘distanciamento’ do agredido, o que pode conferir mais intensidade aos ultrajes e desconsiderações.

Ultimamente, os filhos ocupam um espaço cada vez maior nas famílias, isto é, participam com sua voz e vontades que são levadas em conta. Alguns podem interpretar mal essa relação próxima dos adultos e acreditar que têm poder e direito de humilhar e maltratar pessoas sem se responsabilizarem porque serão sempre protegidos pelos adultos. 

Em inglês existe a palavra ‘entitled’, que cabe bem aqui. Ao pé da letra é “entitulado”, isto é, que tem título, atribuição de nobreza e poder real e absoluto. A palavra, hoje, tecnicamente, significa apenas “ter direito a”, mas carrega a implicação negativa de alguém que se sente excessivamente privilegiado ou que acredita que merece tratamento especial, mesmo sem nenhuma razão. A palavra, então, pode ser entendida como “ser autorizado”, ou “ter o direito” ou “ter o privilégio”, uma significação que faz refletir.

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Os jovens precisam aprender a conviver e se relacionar com amigos e colegas, ou com qualquer pessoa. Não podem pensar que têm o direito de humilhar ou de dominar outros com ameaças. Precisam saber que não têm privilégios inquestionáveis e que serão, sim, responsabilizados.

É uma questão ética muito séria, e ainda bem que a escola percebeu e mostrou. Nossa espécie é empática e pressente o desconforto dos outros, se solidariza com os outros. Se jovens não conseguem perceber o sofrimento alheio, é urgente que a capacidade de empatia seja desenvolvida. Se percebem, mas divertem-se com o sofrimento alheio, tem-se uma questão moral séria e preocupante a ser tratada pela família e pela escola. 

Não adianta apenas impor castigo. É preciso haver reflexão para que haja mudança interna nos estudantes. Todos precisam conversar uns com os outros, junto com adultos, para que compreendam o que acontece. E não adianta conversar uma vez apenas. É uma prática permanente, em todas as situações de conflito. As turmas têm que ser envolvidas, todos precisam falar, todos precisam ser ouvidos. 

O trabalho de construção moral é um processo longo por toda a escolaridade. Não depende de prêmio ou de castigo, mas de reflexão permanente para que se estruture uma consciência ética que vai pautar todas as ações do sujeito durante a vida. 

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