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Patricia Lins e Silva

Por Patrícia Lins e Silva, pedagoga Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Educação

Com que futuro sonham todos os netos do mundo?

Todas as épocas viveram seus problemas e as soluções se criam quando as pessoas e a sociedade agem em conjunto

Por Patricia Lins e Silva Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
2 jan 2025, 09h54
Futuro: olhar para os netos e refletir sobre os cuidados que exigem os novos tempos (Internet/Reprodução)
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Observo meus netos – que são encantadores como todos os netos do mundo – e me pergunto quais serão seus sonhos e fantasias para o futuro.

Faço esforço para me desapegar das referências da minha geração que, no icônico ano de 1968,  cursava uma faculdade. Foi uma geração generosa, que quis transformar o mundo, torna-lo um lugar mais justo. Agora, envelhecidos, chegamos ao século 21 e o mundo está muito diferente, mas não parece melhor.       

Continua a grave desigualdade sócio-econômica, agravada por eventos difíceis, como a pandemia de COVID-19, a economia globalizada a espalhar as crises econômicas pelo mundo, o individualismo crescente, a democracia questionada, ódios exacerbados, um sentimento de anti-intelectualismo, desprezo pela ciência e a tecnologia digital a nos bombardear com informações numa rapidez assustadora que nos torna inquietos e exaustos, sempre conectados, sem conseguirmos nos desligar.

Assistimos a guerras ao vivo pela televisão, experimentamos a realidade virtual, aprofundam-se os mistérios do mundo quântico, os buracos negros no espaço, o aquecimento global, a crise climática, o ‘mercado’, a inteligência artificial, é muito assunto relevante a provocar ansiedade e medo, que leva pessoas à ilusão de que existiu um tempo anterior mais “tranquilo”, uma ilusão que pode levar à adesão a fundamentalismos e desejos de retrocesso.

No momento, a urgência é o risco ambiental, alertado pelos cientistas desde o século XX. Nos anos 60 já apontavam a consequência grave que o uso de agrotóxicos e a destruição das florestas teriam para a vida no planeta. O colapso climático acontece num processo de eventos extremos, como enchentes, secas, calor, frio, perdas agrícolas, poluição generalizada, pandemias, desigualdades e violência que se tornam tão frequentes que as sociedades não são capazes de prover segurança física, alimentar, hídrica e sanitária às suas populações.

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O medo do futuro se instala e pode ser bem explorado pelos que negam as evidências científicas e prometem a volta a um tempo sem perturbações. Na verdade, nunca existiu um tempo sem problemas e as soluções se criam quando as pessoas agem juntas e não quando um falso salvador promete o que não pode cumprir. Como só podemos sobreviver neste planeta em que vivemos, onde vivem nossos netos e viverão os descendentes deles, precisamos preservar o ambiente para assegurar a continuidade das espécies vivas.

A menina sueca Greta Thunberg, que ficou famosa por protestar em frente ao parlamento sueco a pedir providências que impedissem o aquecimento global, foi pioneira em chamar a atenção para a necessidade de brigar por políticas ambientais eficientes que garantam a vida. Eu sonho com o dia em que as crianças e jovens do mundo, nas escolas e com as escolas, vão se organizar para exigir dos governos medidas drásticas para salvar seu futuro. Vão protestar contra a ineficácia das negociações até agora e o absurdo dos que negam cinicamente a existência do problema, numa mentalidade suicida, que prefere a extinção a perder ganhos. Freud já falava de Tânatos, o impulso humano de morte.

Eu sonho com o dia em que a escola vai assumir o papel de protetora do tempo das crianças e jovens, apoiando-os para que inventem modos eloquentes e convincentes de reivindicar em alto e bom som a garantia de seu futuro. A escola, que cuida de preparar as novas gerações para viverem como adultos nas sociedades a que pertencem, vai lutar pelo ambiente em que vivem. 

Todos os netos do mundo têm o direito de realizar seus sonhos e fantasias de futuro. Vamos brigar com eles pelo amanhã e fazer prevalecer Eros, o impulso humano de vida.

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