Temos que ir além da proibição dos celulares na escola
O que mais se pode fazer para educar crianças e jovens saudáveis e interessados pelo conhecimento

A lei federal que proíbe o uso de celulares na escola é louvável: afasta as crianças e os jovens das telas, incentivando a interação presencial e a brincadeira e a correria no recreio. A lei também suscita uma reflexão sobre a desatenção dos alunos nas aulas e – como os celulares não são os únicos culpados – o que mais se pode fazer para educar crianças e jovens saudáveis física e mentalmente e, também, interessados pelo conhecimento.
A dinâmica das aulas é uma questão central. A escola tem que ser um espaço de conhecimento relevante, que desenvolve o pensamento crítico, e não apenas um lugar de transmissão burocrática de conteúdos. As discussões em classe, as trocas de ideias, de hipóteses e a escuta dos alunos, tendem a engajá-los mais, mesmo quando os celulares estão ao seu alcance. As chamadas aulas expositivas, sem interação ou conexão com as questões do mundo real, podem ser desinteressantes e levar o alunos a distrações que podem ser os celulares, mas também outras diversões.
O problema vai além do celular. A educação precisa dialogar com a vida real, origem de muitos questionamentos dos alunos. Quando a educação não consegue conectar o ensino ao mundo real, os alunos se dispersam e buscam distrações, sejam celulares, jogos ou outras atividades que os divirtam. Proibir o uso da tecnologia é solução paliativa. Não se pode ignorar a necessidade de transformar o ambiente escolar em um espaço dinâmico, colaborativo e significativo.
A tecnologia também não é apenas uma ferramenta. Ela faz parte do cenário global contemporâneo, marcado pelo poder das big-techs, cada vez maior, tanto econômico quanto político. São empresas que utilizam dados de seus usuários para dominar mercados e influenciar decisões sociais e políticas sem regulação governamental. Os alunos mais velhos já podem discutir esta questão, o que os ajudaria a entender o impacto da tecnologia em suas vidas e a usá-la de forma consciente e produtiva. Viver em um mundo conectado exige aprender a utilizar as tecnologias como ferramentas para o crescimento e o aprendizado e, também, ter consciência do que a tecnologia representa.
A solução não está em apenas afastar os dispositivos, mas em ensinar a usá-los de forma crítica e consciente no processo educativo.