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Por Marcelo Copello, jornalista e especialista em vinhos Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Marcelo Copello dá dicas sobre vinhos

Saiba como a Cabernet Sauvignon se tornou a rainha das uvas

A toda poderosa cabernet sauvignon (CS) é hoje a uva vinífera mais plantada do mundo, com cerca de 340.000 hectares de vinhedos. Mas nem sempre foi assim.

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14 fev 2025, 05h00
Cabernet Sauvignon
 (shutterstock/Divulgação)
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A toda poderosa cabernet sauvignon (CS) é hoje a uva vinífera mais plantada do mundo, com cerca de 340.000 hectares de vinhedos. Mas nem sempre foi assim.

 

A CS é uma casta relativamente jovem. Enquanto outras, como a pinot noir, teriam mais de 2 mil anos, estudos indicam que a CS teria nascido no século XVII, no sudoeste da França, fruto de um cruzamento natural entre cabernet franc e sauvignon blanc. O avanço da CS se deu apenas no final do século XIX, quando a praga Filoxera dizimou vinhas em todo o mundo. Muitos vinhedos em Bordeaux, que eram de castas como carménère ou malbec, foram replantados com a “novata” com CS, mais resistente à doença. Este período coincide com a ascensão de Bordeaux, que teve em 1855 sua famosa classificação dos Grand Crus da margem esquerda, região onde a CS passou a predominar.

 

Desde então Bordeaux tornou-se a região vinícola mais importante do mundo, referência para outros regiões, e com isso a CS sendo universalmente disseminada. Hoje, até prova em contrário, não existe país que faça vinho onde a CS não esteja.

 

Esta é uma casta amiga do viticultor, pois seu cultivo é relativamente fácil, tem boa resistência a pragas, brotação tardia (evitando as geadas). Seu caule grosso, além de lhe dar resistência, é propício a mecanização da colheita.

 

Tem bom vigor, gerando por vinha uma boa quantidade de cachos, que são pequenos, com bagos pequenos e de pele grossa, o que se traduz em uvas mais resistentes e vinhos mais concentrados, com muita cor, tanino alto, acidez média-alta, álcool médio-alto. A CS precisa de climas moderados ou quentes para conseguir amadurecer bem. Climas moderados como Bordeaux geram CS com taninos austeros, precisando de guarda.

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A CS é também versátil, podendo gerar espumantes (como é comum em nossa Serra Catarinense), rosés, tintos leves, até os grandes tintos de guarda que lhe dão fama. É também excelente para blends, agregando taninos e longevidade às misturas. O blend mais famoso do mundo é cabernet sauvignon, merlot, cabernet franc, chamado de “corte bordalês”.

 

Alguns dos aromas mais típicos da CS são cassis, grafite, cedro, pimentão verde, amora, cereja preta, ameixa, menta e eucalipto. No paladar sua marca é a estrutura firme de taninos.

 

Além da margem esquerda de Bordeaux, as regiões mais reconhecidas pela qualidade de seus CSs são Napa Valley, Sonoma, Santa Cruz Mountains e Washington State (EUA); Bolgheri-Toscana (Itália); Maipo, Colchagua e Curicó (Chile); Coonawarra, Barossa e Margaret River (Austrália), Mendoza (Argentina), Stellenbosch (África do Sul), Hawkes Bay (Nova Zelândia) e Penedés (Espanha).

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Como CS é muito conhecida pelos consumidores, o que torna mercadologicamente interessante para os produtores plantá-la, mesmo em regiões de clima adverso. No Brasil a CS é a tinta mais plantada, nem sempre em regiões adequadas, como a Serra Gaúcha, por exemplo. Vinhedos antigos e muito bem adaptados, podem atenuar o clima adverso da Serra Gaúcha,  sendo possível conseguir alguns ótimos CS de lá, mas não todos os anos.

 

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