Violência doméstica: mais de 98 000 mulheres foram vítimas em 2020 no Rio

Foram registrados 78 casos de feminicídio no ano passado. Segundo o estudo, grande parte dos crimes foram cometidos pelos companheiros ou ex-companheiros

Por Luiza_Maia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 18 out 2021, 15h45
Mulher triste com mão no rosto
Violência contra a mulher: serviço via telefone e com posto presencial no réveillon (Juan Pablo Serrano Arenas/Pexels)
Continua após publicidade
Violência doméstica: mais de 98 000 mulheres foram vítimas em 2020 no Rio Priorizar nos meus resultados Google

No ano de 2020, mais de 98 000 mulheres no estado do Rio foram vítimas da violência doméstica e familiar – o índice corresponde a 270 mulheres que sofreram algum tipo de agressão por dia. Os dados são do Dossiê Mulher 2021, divulgado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) nesta segunda (18). Segundo o estudo, foram registrados 78 casos de feminicídio no ano passado.

+ Mulheres fortes marcam presença em grafite no Porto Maravilha

Dessas ocorrências de feminicídio, ou seja, quando a vítima é assassinada apenas por ser uma mulher, em 78,2% dos casos os autores dos crimes foram os próprios companheiros ou ex-companheiros. As principais motivações apontadas pelos criminosos foram brigas (27 casos) e término do relacionamento (20).

Quase 75% das mulheres foram mortas dentro de casa – um dado relevante, já que grande parte das famílias permaneceram mais tempo em suas residências durante a pandemia, devido à necessidade do isolamento social. Do total de casos, quinze foram presenciados pelos filhos dessas mulheres.

+ Novo decreto: Rio libera capacidade máxima de cinemas, teatros, shoppings e eventos

Continua após a publicidade

Quanto ao perfil das vítimas:

  • 57,7% tinha entre 30 e 59 anos de idade;
  • 52 eram mães, e 34 tinham filhos menores de idade;
  • 55,1% eram mulheres negras;
  • Mais de 40% das mulheres foram mortas por faca, facão ou canivete e 24,4% por arma de fogo.
  • Mais da metade das vítimas já tinha sofrido algum tipo de violência e não havia registrado.

O objetivo do estudo é orientar a criação de políticas públicas de combate e prevenção aos casos de violência no Rio. “Ainda somos uma sociedade muito machista, que objetifica a mulher e só vamos conseguir romper essas estruturas com debate, diálogo e entendimento real que esse problema não afeta só a mulher, mas também a vida da família”, afirma a diretora-presidente do ISP, Marcela Ortiz.

Continua após a publicidade

Elaborado há 16 anos pelo ISP, o dossiê deste ano também mostra uma análise inédita sobre o descumprimento de medidas protetivas de urgência, criadas para proteger as vítimas dos seus agressores. Foram contabilizadas 2 003 infrações em 2020, uma média de cinco por dia.

+Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui

Em comparação a 2019, o número de casos de violência sofreu uma queda de 23,1%. Segundo o ISP, esse dado não necessariamente revela uma redução dos crimes contra a mulher, mas aponta a dificuldade que muitas vítimas tiveram no último ano para denunciar os casos.

Continua após a publicidade

O relatório abrange diferentes tipos de violência: psicológica (31,6%), moral (23,5%), sexual (5,7%), patrimonial (4,6%) e a física, que registrou o maior índice de vítimas (34,6%). A região maior com maior número absoluto de casos foi a capital (34,7%), seguida do interior do estado (32,7%), a Baixada Fluminense (24,7%) e a região da Grande Niterói (7,8%).

+ Vai ter Carnaval no Rio? Especialistas defendem cobertura vacinal mínima de 80%

No caso dos crimes de violação sexual, foram registradas 5 645 ocorrências, índice 15,8% menor em comparação a 2019. Somente os estupros de vulneráveis cresceram mais que o dobro, com 2 754 casos. Em média, sete meninas com até 14 anos foram violentadas diariamente no estado.

Continua após a publicidade

Os crimes mais relatados foram os de importunação sexual (92,5%), seguidos por assédio (91,5%), registro não autorizado de intimidade sexual (90,7%), tentativa de estupro (89,2%), divulgação de cena de estupro (88,5%) e estupro (86,1%).

+ Covid: pela primeira vez, todos os municípios do Rio possuem risco baixo

Conheça canais para denunciar casos de violência no Rio:

Continua após a publicidade
  • Disque 180 – Central de Atendimento à Mulher do Governo Federal.
  • Núcleo Especial de Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem), órgão da Defensoria Pública do Rio – telefones: (21) 23326371; (21) 23326370; (21) 972268267 ou e-mail – nudem@defensoria.rj.def.br.
  • Disque 190 – Polícia Militar.
  • SOS Mulher – Comissão de defesa dos direitos da mulher da Alerj  – telefone: 08000 282-0119.
  • Centro Integrado de Atendimento à Mulher – CIAM Márcia Lyra – Rua Regente Feijó, 15 – Centro/RJ. Tel.: (21) 2332-7199/2332-7200.
Publicidade

Essa é uma matéria fechada para assinantes.
Se você já é assinante clique aqui para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Multidão em protesto na rua, com pessoas de costas e braços erguidos, e capas da revista Veja com manchetes sobre política e notícias, promovendo jornalismo de qualidadeMultidão de pessoas de costas, com braços erguidos, em uma rua urbana com prédios altos e árvores. À direita, várias capas da revista Veja sobrepostas, com títulos como Furo Cruzado e Vale-Tudo
Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 32,90/mês