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Vanessa Aragão

Por Vanessa Aragão, pesquisadora e instrutora de meditação Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Criadora do projeto Meditante Urbana

As coisas como elas são

Metamorfoses da virada de ano

Por Vanessa Aragão Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 9 jan 2025, 12h08 - Publicado em 9 jan 2025, 10h22
Quem desejamos ser em 2025?
metamorfose (Unsplash/Divulgação)
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Qualquer situação, qualquer estado do mundo e do espírito é uma combinação de yin e yang.  A noite se transforma em dia e o dia em noite. O dia caminha em direção ao crepúsculo e a noite à aurora. E nós somos apanhados no fluxo dessa metamorfose incessante. Não adianta resistir a ela, mas é útil reconhecê-la e às vezes é possível antecipá-la. Ninguém ao nosso redor percebe que nos entregamos a uma espécie de rodeio. Vacilar e se recuperar, perder o equilíbrio e ganhá-lo de novo. Eu diria que é um pouco excitante aprender a ler esse movimento nas pessoas.

Todo ciclo que começa vem trazendo muita intensidade. Boa parte dos meus pacientes estão sentindo janeiro de 2025 à flor da pele: ansiedade, expectativa, irritação, esperança, devaneios, desejos. Muitos desejos. Tenho me perguntado desde que voltei da Índia ( fui, voltei e nem contei aqui) qual é o meu papel na vida de todas essas pessoas. Qual é o meu papel na minha vida? O que eu sei é que o nosso lugar é aqui onde nós estamos, não importa aonde. Cada um tem um lugar sobre a terra, um lugar que é o seu lugar. Seja numa relação, num trabalho, numa cidade, o nosso lugar desenha uma boa parte do papel que desempenhamos. Estamos onde precisamos estar. 

Refinar o olhar para essa dança invisível de todas as coisas ajuda a viver com consciência de que todo momento é uma passagem, que o auge anuncia o declínio, e a derrota a vitória futura. Pode acreditar, é útil quando a vida nos sorri saber que ela vai nos passar a perna. E quando estamos nas trevas sem saber para onde ir, que a luz vai voltar. Ajuda a relativizar os estados da alma. Traz prudência e confiança; deveria, ao menos. 

Cada um tem um som, uma frequência, uma vibração. Talvez o meu papel seja ajustar essa frequência das pessoas com a terapia sonora para que elas abram caminhos por dentro e os seus nós fiquem mais frouxos para, enfim, o coração de cada um respirar e a cabeça se encontrar com os pés.

Tenho certeza de que por meio da atenção à pele, e ao que há debaixo da pele, à inspiração e a expiração, ao bombeamento do coração, ao fluxo e ao refluxo dos pensamentos, um dia eu desemboco do outro lado: no infinitamente grande, no infinitamente aberto, no céu que Pitágoras diz que o homem nasceu para contemplar. 

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Talvez o meu papel seja continuar ensinando que a meditação (e o silêncio que vem do som) é mergulhar dentro de si e cavar túneis, construir barragens, abrir novas vias de circulação e empurrar alguma coisa para o nascimento e desembocar nesse grande céu aberto. 

Sempre acreditei (mas nunca admiti) que cada um de nós tem em torno de si algumas pessoas, podem ser cinco, podem ser dez, não muito mais que isso, que são aquelas pessoas com quem se atravessa a vida. Talvez o meu papel na minha vida hoje seja admitir que eu preciso e sou feita delas. Que é exaustivo ser tão yang e que nesse fluxo da metamorfose seja o momento de me permitir ser mais yin. Aqui estamos, janeiro de 2025.

Primieta. Enfim, chegamos aonde eu tanto queria ir. E agora? Primieta em russo pode ser traduzido como “um sinal”. É raro, mas às vezes acontecem certos momentos que são lampejos que fazem com que a vida tome um rumo decisivo. O começo de outra coisa pela qual não esperamos. Talvez o meu papel na minha vida hoje seja igual ao de uma parteira, me ajudar a colocar no mundo essa  nova mulher e toda a vida que ela desejar gerar. 

Um afeto delicado e voraz.

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